Dólar cai 2% com fluxos e exterior benigno compensando incertezas locais
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O dólar caía frente ao real nesta terça-feira, com a perspectiva de juros mais atrativos no Brasil, movimentos de realização de lucros e um clima benigno no exterior compensando, pelo menos por ora, constantes ruídos políticos e fiscais domésticos.
Às 12h08, o dólar à vista recuava 2,01%, a 5,2740 reais na venda, depois de tocar 5,2713 reais, queda de 2,06%. Na B3, o dólar futuro de maior liquidez cedia 2,01%, a 5,2795 reais.
Nesta manhã, o real apresentava o melhor desempenho contra o dólar entre uma cesta de mais de 30 divisas.
Peso mexicano, lira turca e rand sul-africano, três dos principais pares da moeda brasileira, apresentavam ganhos mais modestos no dia, em alta entre 0,05% e 0,9%. O índice do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes caía 0,18%, depois de passar boa parte da manhã estável.
Segundo Alexandre Netto, chefe de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, o desempenho do real nesta terça-feira é, além de reflexo de um ambiente internacional mais inclinado ao risco, "sinal de fluxo", refletindo movimentos de internalização de recursos por parte de exportadores.
Na segunda-feira, a moeda norte-americana spot teve variação negativa de 0,05%, a 5,3823 reais na venda. Na sexta-feira passada, embora tenha fechado em queda, o dólar chegou a superar os 5,47 reais na venda na máxima intradia.
"À medida que (o dólar) sobe, o exportador aproveita alguns momentos para internalizar recursos", explicou Netto. "Além disso, também recebemos fluxo de investidores estrangeiros fazendo 'carry trade', aplicando na renda fixa em meio ao aumento de juros pelo Banco Central."
A taxa Selic está atualmente em 5,25% ao ano e a caminho de superar o patamar neutro, o que tende a tornar o diferencial de juros entre Brasil e economias avançadas mais favorável ao real.
Em outras frentes, o noticiário de Brasília seguia no radar.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmou nesta terça-feira que não haverá calote de precatórios e tampouco uma solução que inclua o rompimento do teto de gastos para os pagamentos.
Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos, disse à Reuters que a fala de Lira é um sinal positivo em meio ao temor constante de investidores sobre a saúde das contas públicas, embora não signifique uma mudança concreta no cenário fiscal.
Nesta semana, disse Netto, da Acqua-Vero, investidores ficarão atentos à conferência anual de banqueiros centrais de Jackson Hole (EUA), organizada pelo Federal Reserve, em busca de sinais sobre o futuro da política monetária norte-americana.
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