Em 2020, emissões de CRA somaram valor recorde de R$ 15,81 bilhões
Em 2020, o mercado primário de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou valor recorde de R$ 15,81 bilhões em emissões, em 65 operações e 113 títulos, segundo dados do Anuário 2021 da Uqbar Consultoria e Educação Financeira.
A publicação foi lançada nesta quinta (25), durante webinar promovido pela empresa. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) foi uma das apoiadoras do evento virtual.
Os CRAs são títulos de crédito, criados em 2004 pela Lei dos Títulos do Agronegócio, e que permitem aos produtores e empresas do agro captar recursos diretamente de investidores, no mercado de capitais.
A CNA tem trabalhado em uma agenda estratégica que visa a diversificação de fontes de financiamento para o setor, o desenvolvimento do mercado de capitais e das operações pulverizadas de CRA para financiar pequenos e médios produtores.
De acordo com o documento, apresentado pelo CEO da Uqbar, Carlos Augusto Lopes, os CRAs lastreados em carteiras de risco de crédito pulverizado foram minoria no ano passado, com um total de 14,3% das operações. Apesar do grande volume de emissões, ainda predominam os títulos com lastros em um único crédito corporativo.
Ao longo do ano passado, o mercado de CRAs registrou emissões de títulos associados a nove segmentos do agro. A pecuária, que apresentava volume anual reduzido desde 2016, quadruplicou o volume em 2020, alcançando R$ 6,22 bilhões, responsável por 39,3% do montante total emitido.
O segmento de insumos agrícolas é o mais representativo em termos de número de operações e de títulos. As emissões cresceram mais de 20%, atingindo R$ 2,55 bilhões em 22 operações e 54 títulos, ficando novamente com a segunda maior fatia de mercado. Já o setor sucroenergético apresentou redução na sua participação, correspondendo a 13,6% do montante anual, com R$ 2,16 bilhões, 11 operações e 16 títulos.
A maioria dos CRAs emitidos de ambos os segmentos está indexada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e possuem prazo médio de vencimento superior a cinco anos.
Além do lançamento do anuário, a programação do webinar contou com um debate sobre os resultados da publicação e as perspectivas futuras para esse mercado. O sócio executivo da Ecoagro, Cristian Fumagalli, disse que a redução da Selic poderia gerar impacto na demanda por crédito tomado por meio de CRA. Entretanto, a Ecoagro fez 29 operações, que somaram cerca de R$ 5 bilhões disponibilizados ao agro. “Entre essas operações, houve uma de CRA Verde”.
Cristian também destacou que, apesar da pandemia, o agro se mostrou um setor econômico resiliente, com produção e preços em patamares altos. “É um setor muito importante para o Brasil, então é fundamental continuar buscando crédito para os pequenos e médios produtores”.
Para o sócio da Santos Neto Advogados, Gabriel Leutewiler, os dados do anuário mostram a necessidade do Brasil por crédito e o aumento da participação de menores players nesse mercado.
“O CRA se consolidou em 2020 como uma fonte alternativa de captação de recursos para o agronegócio. O setor é um bom pagador de juros, possui estrutura resiliente e capacidade de geração de divisas para o país”.
Já o cofundador da iDtrust, Junior Santos, afirmou que o cenário da pandemia do coronavírus trouxe, de forma natural, uma transformação digital que impactou todos os setores. “O próprio agro se adequou e se preparou para essa mudança. Vimos muitos produtores abraçando as tecnologias, por meio do acesso a títulos e ao crédito, dando agilidade ao processo operacional”.
Para ele, a tendência dessa transformação digital consolidou o cenário positivo de emissões do CRA em 2020.
0 comentário
Rússia mata 17 pessoas em forte ataque com mísseis balísticos contra Ucrânia
Ações da China atingem maior cotação da semana com alta das ações do setor de chips
Lula mantém liderança sobre Flávio Bolsonaro em eventual 2º turno; vantagem diminui, mostra Genial/Quaest
Dólar fecha em alta ante real antes de anúncio de sanção dos EUA a embaixadora brasileira
Ibovespa fecha em queda com Itaú e Petrobras após superar 180 mil pontos
Lula e Putin discutem diesel, fertilizantes e cooperação estratégica, diz Planalto