Ibovespa desaba quase 5% com risco político; Petrobras perde mais de R$60 bi

O tom negativo prevalecia na bolsa paulista nesta segunda-feira, com agentes financeiros enxergando aumento relevante de risco político no país, principalmente ingerência governamental na Petrobras, que já perdeu mais de 60 bilhões de reais em valor de mercado nos primeiros minutos de negociação.
Às 10:31, o Ibovespa caía 4,87%, a 112.661,57 pontos.
A sessão B3 ainda é marcada por vencimento de opções sobre ações nesta segunda-feira.
Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro indicou o nome do general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro e presidente da Petrobras após o encerramento do mandato do atual presidente da companhia, Roberto Castello Branco.
No dia seguinte, Bolsonaro indicou nova substituição nesta semana, aos moldes da indicação para a presidência da Petrobras, bem como que vai "meter o dedo na energia elétrica".
"As declarações recentes do presidente acendem um enorme sinal amarelo --senão vermelho ao cenário político local", afirmou o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, em comunicado a clientes.
"Devemos ter uma segunda-feira de enorme pressão negativa nos ativos locais, na ausência de uma mudança de postura do governo federal."
Os papéis da Petrobras, que têm peso de 10,268% da carteira teórica, lideravam as quedas do Ibovespa, com as ações ON e PN desabando cerca de 17% cada, o que acarretava uma perda ao redor de 60,7 bilhões de reais em valor de mercado desde o fechamento da sexta-feira.
O índice do setor elétrico perdia 4,2%, com Eletrobras ON registrando um tombo de 7,6%.
O Bank of America cortou a recomendação para Brasil a 'marketweight' em portfólio de ações na América Latina, bem como reduziu exposição a companhias de controle estatal, citando "maior incerteza".
As únicas ações do Ibovespa no azul eram Lojas Americanas PN, em alta de 9% e B2W ON, que subia quase 6%. As companhias anunciaram na sexta-feira que estão avaliando uma combinação de suas operações.
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