Campos Neto diz entender ansiedade com inflação, mas destaca que política monetária mira longo prazo

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira entender a ansiedade do mercado com dados recentes de inflação, mas frisou que a política monetária precisa mirar o longo prazo e que muitos componentes da inflação são temporários.
"Entendemos que há muito barulho no curto prazo, temos dito que achamos que muitos componentes da inflação são temporários, reconhecemos que a inflação se espalhou mais do que esperávamos, os números do núcleo estão mais altos do que nós esperávamos", disse Campos Neto durante participação em evento virtual promovido pelo Observatory Group.
"Entendo que há muito ansiedade no mercado olhando para os dados de tempo real, mas nós precisamos fazer política monetária um pouco mais no longo prazo", acrescentou Campos Neto, ressaltando que há um "gap" entre uma decisão do BC e seu impacto sobre a inflação.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) --referência para o regime de metas de inflação perseguido pelo BC-- teve em janeiro alta de 0,25%, depois de subir 1,35% em dezembro, informou o IBGE nesta manhã.
O resultado ficou abaixo da expectativa mostrada em pesquisa da Reuters, de alta de 0,31% em janeiro sobre dezembro. Mas, em 12 meses, a inflação foi a 4,56%, acima dos 4,52% observados nos 12 meses imediatamente anteriores --período que corresponde ao ano cheio de 2020, quando a inflação ficou acima do centro da meta buscando pelo BC (4%).
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