Dólar fecha em queda atento a eleições na Câmara e no Senado

Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta segunda-feira, com o foco do mercado voltado para as perspectivas sobre reformas econômicas após as eleições para os comandos da Câmara e Senado.
O dólar à vista caiu 0,55%, a 5,4486 reais na venda. A moeda variou entre 5,487 reais (+0,15%) e 5,422 reais (-1,03%).
Câmara dos Deputados e Senado Federal escolhem nesta segunda suas novas mesas diretoras --presidentes, vice-presidentes, secretários e suplentes.
Na Câmara, Arthur Lira (PP-AL) --aliado do presidente Jair Bolsonaro-- e Baleia Rossi (MDB-SP) --candidato do atual chefe da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ)-- são os principais nomes. No Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) --apoiado por Bolsonaro e pelo PT-- e Simone Tebet (MDB-MS) são os postulantes.
O ponto de atenção do mercado em relação aos candidatos está ligado aos desdobramentos das eleições para a agenda de reformas.
"Ter dois aliados no comando da Câmara e do Senado será logicamente positivo para o governo... Isso, entretanto, não significa que haverá alinhamento automático dos presidentes aos anseios do governo", disse em relatório a Dominium Consultoria, especializada em relações institucionais e governamentais.
"Não tendo obstáculos no Congresso, a chave das reformas dependerá mais do que engajamento e compromisso de Bolsonaro e dos cálculos políticos que o presidente fará, ponderando os efeitos econômicos (corte de gastos) e popularidade/desgaste do governo, tendo como meta a reeleição em 2022", acrescentou a casa.
A Fitch Ratings disse nesta segunda que o ano de 2021 será chave para o governo brasileiro revitalizar sua agenda de reformas fiscais, antes das eleições de 2022, mas ponderou que a incerteza política nubla o cenário.
A questão fiscal é apontada por analistas como um dos principais motivos para o descolamento do real em relação a seus pares. A moeda brasileira tem o pior desempenho neste ano, em queda de 4,72% ante o dólar, depois de em 2020 perder mais de 20% e também figurar entre as últimas posições.
Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, disse que o último levantamento da consultoria política apontou Lira eleito em primeiro turno para o comando da Câmara.
"Bom para reformas? Sim. Reformas são maratonas, vitória de Lira é sprint inicial. Não confundir voto em Lira com apoio incondicional às reformas. Governo terá que priorizar, comunicar e trabalhar", afirmou.
"Se não tratar reformas como prioridades, serão sugadas pelo pântano de Brasília. Achar que Congresso vai digerir reformas naturalmente só porque Lira ganhou é 'wishful thinking'. Caso Lira vença, governo terá outros desafios", acrescentou Aragão, listando entre os quais comunicar reformas de maneira eficiente, evitar atritos desnecessárias com Congresso, escolher suas batalhas e mapear cuidadosamente sua base aliada.
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