IBGE mostra 15,7 milhões afastados do trabalho devido à pandemia em maio e quase 9,7 milhões sem remuneração

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O distanciamento social provocado pela pandemia de coronavírus deixou no mês de maio cerca de 15,7 milhões de pessoas afastadas do trabalho e quase 9,7 milhões ficaram sem remuneração no país, segundo dados da Pnad Covid-19 do IBGE, divulgados nesta quarta-feira.
"Quase todos esses 9,7 milhões dos afastados tem a ver com a pandemia", disse a gerente do IBGE, Maria Lúcia Vieira, referindo-se às pessoas que ficaram sem remuneração no mês passado.
O rendimento médio efetivo dos trabalhadores caiu 18% em maio ante o rendimento habitual e 38,7% dos domicílios brasileiros receberam algum auxílio momentário do governo relacionado à pandemia.
De acordo com a pesquisa, esse total de pessoas sem remuneração corresponde a 51,3% dos cerca de 19 milhões que estavam afastados de seus trabalhos e é 11,5% da população ocupada do país em maio, que era de 84,4 milhões de pessoas no período.
“Nós já sabíamos que havia uma parcela da população afastada do trabalho e agora a gente sabe que mais da metade dela está sem rendimento. São pessoas que estão sendo consideradas na força, mas estão com salários suspensos", disse o diretor do IBGE, Cimar Azeredo.
"Isso não é favorável e tem efeitos na massa de rendimentos gerada, que está estimada abaixo de 200 bilhões de reais”, acrescentou.
No mês de maio 8,7 milhões trabalharam remotamente.
Ao todo, maio tinha 19 milhões de pessoas afastadas de seu trabalho. Além dos 15,7 milhões (18,6% do total de pessoal ocupado) por conta da pandemia, havia os afastados por ferias, licença médica, licença gravidez e outros motivos.
Pessoas com mais de 60 anos, sem carteira e funcionários públicos e privados sem carteira foram os grupos com mais afastados do trabalho por conta da pandemia.
“Claramente os trabalhadores domésticos sem carteira foram os mais afetados pela pandemia. Parcela expressiva deles tem renda média abaixo de um salário mínimo. Já os com carteira foram menos afetados porque têm mais estabilidade”, explicou Azeredo.
A pesquisa do IBGE apontou ainda que 27,9% da população ocupada (ou 18,3 milhões de pessoas) trabalharam menos horas do que seu normal, ao passo que aproximadamente 2,4 milhões trabalharam mais que sua média habitual. A média semanal de horas efetivamente trabalhadas (27,4 horas) no país ficou abaixo da média habitual (39,6 horas).
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)
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