Reservas argentinas caem apesar de governo apertar controles

Por Walter Bianchi
BUENOS AIRES (Reuters) - As reservas em moeda estrangeira da Argentina estão diminuindo rapidamente --mesmo com o governo restringindo o acesso ao dólar-- e atingiram em maio o menor nível desde o início de 2017, enquanto o país luta para controlar o novo coronavírus e uma crise de dívidas de longa data.
As reservas do banco central recuaram quase 1 bilhão de dólares no mês passado, período em que a autoridade monetária procurou sustentar a moeda do país, o peso, e diminuíram em cerca de 3 bilhões de dólares desde o início de janeiro. As reservas agora estão em 42,6 bilhões de dólares, abaixo do ápice perto de 80 bilhões de dólares do início do ano passado.
Os níveis menores soaram um sinal de alerta enquanto a Argentina procura aumentar os gastos emergenciais para combater a pandemia de Covid-19, sair de uma recessão dolorosa e apaziguar credores estrangeiros --que pressionam por um pagamento maior em relação a uma reestruturação de 65 bilhões de dólares em dívidas.
O banco central tentou restringir o acesso das empresas ao dólar nas últimas semanas. Cidadãos comuns só podem comprar 200 dólares em moeda estrangeira no mercado oficial de câmbio por mês e precisam pagar um imposto alto.
"Apesar das restrições à compra de moeda estrangeira... a crescente incerteza desencadeou uma nova rodada de declínio das reservas", disse a consultoria local Ecolatina, acrescentando que "níveis alarmantes" podem levar a uma diminuição ainda maior.
O país sul-americano impôs duros controles de capital no ano passado, depois que um colapso do mercado levou a uma dramática recuperação da demanda por moeda estrangeira, enquanto o banco central tentava sustentar um enfraquecido peso e os poupadores buscavam o refúgio do dólar.
Autoridades argentinas afirmam que querem relaxar os controles quando a economia se estabilizar e um acordo sobre a dívida for alcançado. Mas o temor sobre uma desvalorização do peso permanece em um país que há anos luta para construir confiança em sua moeda.
As atuais reservas internacionais do banco central são inferiores ao valor total das importações argentinas no ano passado.
As intervenções do banco central ajudaram a manter o peso praticamente estável recentemente, mas seu valor em mercados não oficiais despencou, criando uma diferença preocupante em relação à taxa oficial.
O governo está se aproximando de uma reestruturação vital da dívida, mas ainda enfrenta obstáculos difíceis para chegar a um acordo abrangente com os credores.
"Enquanto durarem as negociações, esperamos que um forte controle sobre as operações de câmbio permaneça, devido ao cenário de queda nas reservas e de alta demanda por dólares", disse a consultoria financeira Portfolio Personal Inversiones.
(Reportagem de Walter Bianchi)
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 5644 7729))
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