Dólar avança ante real com menor apetite por risco no exterior e permanência de ruídos políticos

Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em alta acentuada contra o real nesta segunda-feira, dia de menor apetite por risco no exterior em um cenário agravado pela permanência das incertezas no campo político brasileiro.
Às 10:08, o dólar avançava 0,87%, a 5,7898 reais na venda. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,69%, a 5,790 reais.
Neste pregão, os mercados internacionais observavam com cautela a reabertura gradual de grandes economias. Uma alta nas infecções por coronavírus na Alemanha após o relaxamento das medidas de isolamento pesava sobre o sentimento, minando as esperanças de uma retomada rápida das atividades.
"(...)A detecção de novos casos de vírus elevou os alertas e fez com que a retomada da atividade sofresse novos reveses", disse em nota a Infinity Asset.
"Isso pode não evitar o retorno das atividades em algumas localidades do hemisfério norte, porém dá o sinal de que o tratamento vacinal continua a única solução crível para o vírus no curto prazo, e, enquanto isso não acontecer, o 'vai e vem' pode ser mais constante."
No exterior, diante desse cenário, moedas arriscadas pares do real, como peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, apresentavam quedas acentuadas contra a divisa dos Estados Unidos.
Enquanto isso, no cenário doméstico, o clima de incerteza política somava-se às pressões sobre o real.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello decidiu no sábado levantar por ora o sigilo do vídeo de uma reunião ministerial especificamente para os envolvidos no inquérito do STF que investiga as acusações do ex-ministro Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro estaria tentando interferir politicamente na Polícia Federal.
"Localmente, o mercado aguarda que o barulho político do fim de semana não atrapalhe os rumos dos vetos do presidente, em especial do aumento do funcionalismo, essencial neste momento de pandemia", acrescentou a Infinity Asset.
Bolsonaro afirmou na quinta-feira que vai vetar parte do projeto de auxílio aos Estados aprovado pela Congresso que excluiu algumas categorias de servidores de regra de congelamento salarial, atendendo a recomendação do ministro da Economia, Paulo Guedes.
Agora, os investidores citam ainda expectativa em relação à ata do Copom, que deve esclarecer o cenário visto pelo Banco Central que justificou corte dos juros básicos a nova mínima de 3%.
Na última sessão, na sexta-feira, o dólar spot fechou em queda de 1,71%, a 5,740
0 comentário
Wall Street fecha em alta com impulso do setor de tecnologia; investidores ficam de olho em Pequim
Dólar tem correção técnica e fecha abaixo de R$5,00 com cenário político ainda no foco
Ibovespa fecha em alta em dia de recuperação
Taxas dos DIs caem em sessão de ajustes após disparada na véspera por laços de Flávio com Vorcaro
Xi diz a Trump que desentedimento sobre Taiwan pode levar a uma situação "perigosa"
Banco do Brasil aposta em pessoa física para melhorar rentabilidade, com agro ainda pressionado