Dólar salta 1% ante real em meio a ruídos políticos; investidores aguardam Copom

O dólar acelerava a alta contra o real a mais de 1% nesta terça-feira, um dia antes da divulgação da decisão de política monetária do Banco Central, com os ruídos políticos domésticos compensando o dia de maior apetite por risco no exterior.
Às 14:54, o dólar avançava 1,06%, a 5,5808 reais na venda. O contrato mais líquido de dólar futuro subia 0,60%, a 5,590 reais.
"O dólar está um pouco mais contaminado pelo cenário atual, em meio aos ruídos políticos", disse à Reuters Flávio Serrano, economista-chefe do banco Haitong. "A moeda tem sido a principal válvula de escape para refletir" a aversão a risco, completou.
Há semanas, a incerteza vem marcando presença na política brasileira em meio a tensões entre os poderes e a saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça.
No mais recente desdobramento na trama política, uma fonte com conhecimento do depoimento prestado por Moro à PF e ao Ministério Público Federal disse na segunda-feira que o ex-ministro citou, no sábado, ministros do governo que teriam presenciado o presidente Jair Bolsonaro pressionando-o em relação à troca do comando da Polícia Federal.
"Já vamos continuar convivendo com dados macro ruins (...), e, no caso brasileiro, acrescenta-se ainda o cenário político", disse à Reuters Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset, sobre os movimentos do câmbio. "Os rumos são difíceis de prever após a saída do ex-ministro Sergio Moro."
Enquanto isso, os investidores ainda esperam o resultado da reunião de política monetária do Copom, que será divulgado na quarta-feira. Segundo pesquisa da Reuters, a expectativa é de mais um corte da Selic, a nova mínima histórica de 3,25%.
Segundo Serrano, do banco Haitong, essa expectativa contribui para a alta do dólar nesta sessão, à medida que "o mercado precifica 'carrego' ainda menor".
Os cortes sucessivos da taxa têm sido fator de pressão sobre o real, uma vez que reduzem os rendimentos de investimentos atrelados aos juros básicos, tornando o Brasil menos atraente quando comparado a países com juros maiores e nível de risco semelhante.
No ano de 2020, nesse cenário de juros baixos, incerteza econômica e tensões políticas, o dólar acumula alta de quase 40% contra a moeda brasileira.
Nesta terça-feira, o movimento do real divergia do desempenho de outras divisas emergentes ou ligadas a commodities, como rand sul-africano, peso mexicano e dólar australiano, que registravam ganhos contra a moeda dos EUA em meio a otimismo sobre as reaberturas graduais de grandes economias.
O Banco Central realizou nesta sessão leilão de até 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em setembro de 2020 e janeiro de 2021, em que vendeu o total da oferta.
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