Projeção do PIB de 2020 passa de -2,96% para -3,34%, calcula Focus

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia brasileira e a crise política no governo de Jair Bolsonaro fizeram os economistas do mercado financeiro cortarem novamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 27, a expectativa para a economia este ano passou de retração de 2,96% para queda de 3,34%. Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 0,48%.
Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), de alta de 3,10% para 3,00%. Quatro semanas atrás, estava em 2,50%.
Em março, na esteira da pandemia, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete, necessariamente, a situação atual.
No Focus agora divulgado, a projeção para a produção industrial de 2020 foi de baixa de 2,25% para recuo de 2,35%. Há um mês, estava em alta de 0,85%. No caso de 2021, a estimativa de crescimento da produção industrial seguiu em 2,90%, ante 2,50% de quatro semanas antes.
A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2020 seguiu em 60,90%. Há um mês, estava em 56,63%. Para 2021, a expectativa foi de 62,25% para 62,65%, ante 57,87% de um mês atrás.
Déficit primário
O Relatório de Mercado Focus trouxe nova mudança na projeção para o resultado primário do governo em 2020. A relação entre o déficit primário e o PIB este ano foi de 5,00% para 6,20%. No caso de 2021, foi de 1,50% para 1,60%. Há um mês, os porcentuais estavam em 1,30% e 0,60%, respectivamente.
Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2020 foi de 10,00% para 11,10%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2021, foi de 5,20% para 5,40%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 6,00% e 4,86%, nesta ordem.
O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.
Os avanços nas projeções refletem a expectativa de que, com o aumento das despesas do governo durante a pandemia do novo coronavírus, o País terá um cenário fiscal ainda mais difícil.
Balança comercial
Os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para a balança comercial em 2020 na pesquisa Focus, de superávit comercial de US$ 36,10 bilhões para US$ 37,65 bilhões. Um mês atrás, a previsão era de US$ 35,00 bilhões. Para 2021, a estimativa de superávit foi de US$ 35,60 bilhões para US$ 35,50 bilhões. Há um mês, estava em US$ 35,30 bilhões.
Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2020 ficará em US$ 33,5 bilhões. Esta projeção foi atualizada no Relatório Trimestral de Inflação divulgado em março.
No caso da conta corrente, a previsão contida no Focus para 2020 foi de déficit de US$ 40,80 bilhões para US$ 39,60 bilhões, ante US$ 55,80 bilhões de um mês antes. Para 2021, a projeção de rombo foi de US$ 45,20 bilhões para US$ 44,85 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 58,50 bilhões.O BC projeta déficit em conta de US$ 41,0 bilhões em 2020.
Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o resultado deficitário nestes anos. A mediana das previsões para o IDP em 2020 foi de US$ 71,00 bilhões para US$ 72,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 80,00 bilhões. Para 2021, a expectativa seguiu em US$ 80,0 bilhões, ante US$ 81,40 bilhões de um mês antes.
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