Dólar volta a subir e fecha acima de R$4,20 com aversão global a risco

Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou acima de 4,20 reais nesta terça-feira pela primeira vez desde o início de dezembro, com as operações locais novamente influenciadas pela força da moeda no exterior num dia de aversão a risco em meio a temores sobre novo vírus na China.
A ausência de sinais consistentes de melhora no fluxo cambial ao Brasil e as perspectivas mais sombrias quanto a isso têm deixado o real mais vulnerável às intempéries externas.
Tema que abalou os mercados nesta terça-feira, o coronavírus que matou pelo menos seis pessoas na China já infectou um cidadão norte-americano morador dos Estados Unidos e que visitou a China recentemente, segundo autoridades de saúde dos EUA. Wall Street recuava, enquanto os preços dos Treasuries e do iene subiam diante da busca por segurança.
"Por sermos um mercado líquido, acabamos 'apanhando' por tabela", disse Luis Laudisio, operador da Renascença, referindo-se à má performance de divisas emergentes nesta sessão.
O peso mexicano, uma das moedas de melhor desempenho neste ano, caía cerca de 0,6% no fim da sessão, entre as maiores quedas do dia. Outras moedas latino-americanas se desvalorizavam entre 0,4% e 0,8%.
No Brasil, o dólar à vista terminou a sessão com ganho de 0,40%, a 4,2060 reais na venda. É o maior patamar para um encerramento de pregão desde 2 de dezembro de 2019 (4,2139 reais na venda).
No pico do dia, a cotação foi a 4,2094 reais na venda.
Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,42%, a 4,2125 reais.
O clima mais arisco no mercado de moedas neste começo de ano têm contaminado o real e afetado projeções de analistas. Em sondagem do Bank of America com gestores de fundos, mais participantes (40% do total) passaram a ver o dólar entre 4,01 reais e 4,20 reais ao fim deste ano. No levantamento do mês passado, a maior parte esperava taxa entre 3,81 reais e 4,00 reais.
Ao mesmo tempo, mais analistas consultados na pesquisa previram queda de juros. O fortalecimento recente de expectativas de corte da Selic também tem contribuído para o mau desempenho do real, diante de riscos de redução adicional no diferencial de taxas entre o Brasil e o restante do mundo, deixando o real menos atrativo como ativo de investimento.
0 comentário
Dólar fecha em alta no Brasil com cautela externa
Ibovespa fracassa em reação e amplia sequência negativa em agosto
Dólar sobe no Brasil com tensões no Oriente Médio
Número de travessias pelo Estreito de Ormuz aumentou ligeiramente em relação ao fim de semana, mostram dados
Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que EUA cumpram condições do acordo provisório, diz Irã
Jovem Pan: Daniella Marques diz que apoio de Motta a Lula levou Republicanos a vetá-la como vice de Flávio