Brasil quer comprar o máximo possível de diesel da Rússia, diz chanceler
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Por Michelle Nichols
NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O Brasil quer comprar o máximo possível de diesel da Rússia e os acordos estão sendo fechados, disse o chanceler brasileiro, Carlos Franca, nesta terça-feira, sem dar mais detalhes sobre as transações.
"Precisamos garantir que haverá diesel suficiente para o agronegócio brasileiro, e, é claro, para os motoristas brasileiros", disse França a jornalistas durante uma visita à sede da ONU em Nova York. "Então é por isso que estamos buscando fornecedores seguros e muito confiáveis de diesel - a Rússia é um deles."
O Brasil quer comprar "o máximo que for possível" da Rússia, disse o ministro.
Não ficou imediatamente claro como o Brasil iria adquirir o diesel russo sem contrariar as sanções ocidentais, impostas a Moscou por conta de sua invasão da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro.
Quando perguntado se haveria alguma repercussão do Ocidente por conta do plano de comprar diesel da Rússia, França disse: "Eu acredito que não".
"A Rússia é um parceiro estratégico do Brasil. Somos parceiros no Brics", disse, em referência ao grupo que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, um bloco visto como uma alternativa poderosa de mercados emergentes ao Ocidente.
"Dependemos muito das exportações de fertilizantes da Rússia e de Belarus também. E é claro, a Rússia é um grande fornecedor de petróleo e gás. Você pode perguntar isso para a Alemanha. Pode perguntar isso para a Europa. Então o Brasil, nós estamos com pouco estoque disso", afirmou o chanceler.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse na segunda-feira que estava perto de fechar um acordo com Moscou para adquirir diesel muito mais barato, no que parece ser o último benefício mais tangível de sua relação amistosa com o presidente russo, Vladimir Putin.
Os altos preços de combustíveis têm atingido o esforço de reeleição de Bolsonaro em outubro, deixando-o atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto.
(Reportagem de Michelle Nichols na ONU e Kanishka Singh em Washington)
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