Exportações passam a ditar preços do milho no Brasil e podem sustentar altas mesmo em plena colheita

Demanda externa, com destaque para a Espanha, passa a ser o principal fator para definir o comportamento das cotações
Publicado em 29/07/2026 13:10

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A colheita da segunda safra de milho está, atualmente, em torno de 60% no Brasil, mas esse avanço das atividaes não provocou a pressão sobre os preços que parte do mercado esperava. Na avaliação do analista de mercado da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, o mercado passou a olhar menos para o avanço da colheita e mais para a demanda, tanto interna quanto externa, cenário que deverá definir os próximos movimentos das cotações.

Segundo Fernandes, a expectativa era de que o aumento da oferta provocasse uma queda mais intensa durante a colheita, como costuma acontecer nesete momento, mas esse movimento praticamente não aconteceu. Em algumas regiões até houve recuos pontuais, como em Goiás, onde contratos chegaram a ser negociados a R$ 48,00 por saca na boca da colheitadeira, porém os preços já retornaram para a faixa dos R$ 50,00.

"O olhar seria de fato para demanda, demanda externa e demanda interna. Eu falei também que qualquer movimento de queda que viesse seria rápido já para voltar a subir de novo, essa queda praticamente não veio", afirmou.

Mesmo após as baixas registradas em Chicago e na B3 no início da semana, o analista destaca que os preços nos portos permaneceram ao redor de R$ 66,00 por saca, sinalizando sustentação do mercado físico. Para ele, o mercado já trabalha com uma precificação voltada para setembro e ainda há espaço para novas valorizações.

"O mercado já está tentando colocar o preço do milho lá em setembro, não hoje", disse. Na avaliação do analista, o contrato setembro da B3 pode encerrar seu ciclo acima de R$ 70,00 por saca.

Exportações passam a ser o principal indicador

Para Fernandes, a variável mais importante para acompanhar daqui para frente será o ritmo das exportações brasileiras. Embora julho deva terminar com embarques próximos de apenas 2 milhões de toneladas, ele ressalta que isso não representa falta de demanda internacional, mas apenas uma limitação da oferta disponível para embarque.

"O Lineup mostrou que tinha apetite para pelo menos 3 milhões, para mais de 3 milhões de toneladas. Só que não vai tudo isso em julho porque não tinha esse milho colhido, então vai em agosto."

Segundo o analista, agosto já começa com aproximadamente 2,5 milhões de toneladas nomeadas para exportação, volume que ainda tende a crescer. Além disso, ele chama atenção para o aumento das nomeações destinadas ao Porto de Santos, movimento que considera um indicativo de que a exportação começa efetivamente a disputar milho com o mercado interno.

"Quando começar a ganhar volume o Porto de Santos, aí sim o jogo de exportação já está acontecendo."

Nesse cenário, a Espanha passa a ocupar posição de destaque. Fernandes afirma que já existem cerca de 600 mil toneladas nomeadas para o país entre julho e agosto, aproximadamente 300 mil toneladas em cada mês, e que o comportamento desse comprador poderá definir o tamanho da exportação brasileira nesta temporada.

Ele lembra que, em julho de 2025, a Espanha embarcou 176 mil toneladas de milho brasileiro. Neste ano, o volume nomeado já chega a aproximadamente 300 mil toneladas. Em agosto do ano passado, o país europeu comprou cerca de 630 mil toneladas.

"Se agosto desse ano a Espanha levar mais que 600 mil toneladas, já pode deixar cravado escrito em pedra que a exportação total vai ser maior que 40 milhões de toneladas."

Espanha pode definir o rumo dos preços

Apesar do potencial de crescimento da demanda europeia, Fernandes ressalta que o Brasil segue disputando esse mercado com outros grandes exportadores. Segundo ele, o milho brasileiro está cotado ao redor de US$ 220,00 por tonelada nos portos, enquanto o produto norte-americano está em aproximadamente US$ 217,00 e o argentino em US$ 212,00 por tonelada.

Por isso, defende o acompanhamento diário do line-up para avaliar se a demanda continuará avançando. "Line-up e exportação que vai definir a tendência se o milho está barato ou se está caro."

Na avaliação do analista, se a Espanha continuar ampliando suas compras, a tendência é de continuidade da valorização tanto no mercado físico quanto na B3. Caso contrário, será necessário rever as expectativas. 

A colheita da segunda safra de milho não provocou a pressão sobre os preços que parte do mercado esperava. Na avaliação do analista de mercado da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, o mercado passou a olhar menos para o avanço da colheita e mais para a demanda, tanto interna quanto externa, cenário que deverá definir os próximos movimentos das cotações.

Segundo Fernandes, a expectativa era de que o aumento da oferta provocasse uma queda mais intensa durante a colheita, mas esse movimento praticamente não aconteceu. Em algumas regiões houve recuos pontuais, como em Goiás, onde contratos chegaram a ser negociados a R$ 48,00 por saca na boca da colheitadeira, porém os preços já retornaram para a faixa dos R$ 50,00.

"O olhar seria de fato para demanda, demanda externa e demanda interna. Eu falei também que qualquer movimento de queda que viesse seria rápido já para voltar a subir de novo, essa queda praticamente não veio", afirmou.

Mesmo após as baixas registradas em Chicago e na B3 no início da semana, o analista destaca que os preços nos portos permaneceram ao redor de R$ 66,00 por saca, sinalizando sustentação do mercado físico. Para ele, o mercado já trabalha com uma precificação voltada para setembro e ainda há espaço para novas valorizações.

"O mercado já está tentando colocar o preço do milho lá em setembro, não hoje", disse. Na avaliação do analista, o contrato setembro da B3 pode encerrar seu ciclo acima de R$ 70,00 por saca.

Exportações passam a ser o principal indicador

Para Fernandes, a variável mais importante para acompanhar daqui para frente será o ritmo das exportações brasileiras. Embora julho deva terminar com embarques próximos de 2 milhões de toneladas, ele ressalta que isso não representa falta de demanda internacional, mas apenas uma limitação da oferta disponível para embarque.

"O Lineup mostrou que tinha apetite para pelo menos 3 milhões, para mais de 3 milhões de toneladas. Só que não vai tudo isso em julho porque não tinha esse milho colhido, então vai em agosto."

Segundo o analista, agosto já começa com aproximadamente 2,5 milhões de toneladas nomeadas para exportação, volume que ainda tende a crescer. Além disso, ele chama atenção para o aumento das nomeações destinadas ao Porto de Santos, movimento que considera um indicativo de que a exportação começa efetivamente a disputar milho com o mercado interno.

"Quando começar a ganhar volume o Porto de Santos, aí sim o jogo de exportação já está acontecendo."

Nesse cenário, a Espanha passa a ocupar posição de destaque. Fernandes afirma que já existem cerca de 600 mil toneladas nomeadas para o país entre julho e agosto, aproximadamente 300 mil toneladas em cada mês, e que o comportamento desse comprador poderá definir o tamanho da exportação brasileira nesta temporada.

Ele lembra que, em julho de 2025, a Espanha embarcou 176 mil toneladas de milho brasileiro. Neste ano, o volume nomeado já chega a aproximadamente 300 mil toneladas. Em agosto do ano passado, o país europeu comprou cerca de 630 mil toneladas.

"Se agosto desse ano a Espanha levar mais que 600 mil toneladas, já pode deixar cravado escrito em pedra que a exportação vai ser maior que 40 milhões de toneladas."

Apesar do potencial de crescimento da demanda europeia, Fernandes ressalta que o Brasil segue disputando esse mercado com outros grandes exportadores. Segundo ele, o milho brasileiro está cotado ao redor de US$ 220 por tonelada nos portos, enquanto o produto norte-americano está em aproximadamente US$ 217 e o argentino em US$ 212 por tonelada.

Por isso, defende o acompanhamento diário do line-up para avaliar se a demanda continuará avançando. "Line-up e exportação que vai definir a tendência se o milho está barato ou se está caro."

Na avaliação do analista, se a Espanha continuar ampliando suas compras, a tendência é de continuidade da valorização tanto no mercado físico quanto na B3. Caso contrário, será necessário rever as expectativas.

Fernandes afirma que a combinação entre exportações e demanda das usinas de etanol será responsável por definir o estoque de passagem da safra e, consequentemente, o comportamento dos preços nos próximos meses.

"A Espanha é o decisor desse ano se a gente vai ver preços na B3 acima de 80 no primeiro trimestre de 2027 ou se volta para 60."

Para o analista, apesar da forte valorização recente do contrato setembro, a leitura do mercado deve ser feita diariamente, acompanhando principalmente a evolução do line-up e o comportamento das exportações brasileiras.

Fernandes afirma que a combinação entre exportações e demanda das usinas de etanol será responsável por definir o estoque de passagem da safra e, consequentemente, o comportamento dos preços nos próximos meses.

Para o analista, apesar da forte valorização recente do contrato setembro, a leitura do mercado deve ser feita diariamente, acompanhando principalmente a evolução do line-up e o comportamento das exportações brasileiras.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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