Segunda quinzena de julho mais seca no Centro-Sul deve impulsionar colheitas, mas chuvas tendem a dificultar trabalhos no Sul
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A segunda quinzena do mês de julho até pode trazer algumas chuvas para o Centro-Oeste do Brasil, porém apenas de maneira isolada e com baixos volumes. Esse cenário será fundamental para impulsionar os trabalhos de colheita de milho e algodão na região.
Em Ipiranga do Norte no Mato Grosso, por exemplo, a colheita do milho ainda andava lentamente no começo do mês, após chuva e frio alongarem o ciclo das plantas, mas a expectativa era justamente pela retomada das atividades, como contou o Presidente do Sindicato Rural do município, Eder Bueno, em entrevista ao Notícias Agrícolas.
Outro reflexo dessas precipitações era a qualidade dos grãos colhidos. As chuvas registradas na região de Nova Mutum/MT resultaram em avarias nos grãos e problemas na entrega dos produtores aos armazéns, como comentou o Presidente do Sindicato Rural do município, Paulo Zen, ao programa Realidades da Safra.
Até a última sexta-feira (10), o estado mato-grossense havia colhido 60,04% do total cultivado de milho, com os trabalhos saltando 15,7 pontos percentuais em uma semana e ficando à frente dos 57,5% registrados no mesmo período da safra passada.
Já para o algodão, os trabalhos de colheita tinham sido realizados em apenas 4,23% da área estadual, até a última sexta-feira (10). Índice que avançou somente 2,99 pontos na semana e segue atrás dos 7,19% da média das últimas cinco temporadas.
“A gente vê um atraso em relação às médias históricas. Isso muito atrelado a essas chuvas fora de época que a gente recebeu ao longo de todo o estado. Isso dificulta a entrada das máquinas em campo e impacta também muito na questão de qualidade. Claro que pode acontecer algumas chuvas pontuais e tudo mais, mas olhando de forma macro no estado, a tendência é que essas chuvas tenham cessado e a colheita deve voltar a ganhar corpo e embalar mesmo a partir do dia 20. Nessa segunda quinzena mais áreas vão estar prontas para colheita” relata o Coordenador de Inteligência de Mercado do IMEA, Rodrigo Silva.
CONDIÇÕES BOAS TAMBÉM NO SUDESTE
O Sudeste do Brasil também segue sob influência de uma massa de ar mais seco, com predomínio de tempo aberto, poucas nuvens e ausência de chuvas. Esse quadro será benéfico para a colheita do café, que está atrasada, mas deve acelerar nessa segunda quinzena do mês.
No Sul de Minas Gerais, apenas 30% da safra de café havia sido colhida até a semana passada com relatos de registros de paralisações, atrasos, floração antecipada e queda na qualidade da bebida, de acordo com o levantamento do Programa ATeG. A chuva acima da média para o mês de junho foi a principal responsável pelas intercorrências.
Já no Cerrado Mineiro, 40% da área de atuação da Expocacer tinha sido colhida até a última sexta-feira, com 22% dos grãos já beneficiados. Os trabalhos estão atrasados na comparação com o mesmo período de 2025, quando alcançavam 45%. Segundo os técnicos de campo da entidade, o atraso se justifica por 2026 ter uma safra maior em relação ao ano passado e pela ocorrência de chuvas durante junho, que interferiram no andamento da colheita atual.
“Nós tivemos um período um pouco complicado no início de colheita aqui em Minas Gerais, quando algumas localidades sofreram um pouco mais com as chuvas. Nós também tivemos uma situação um pouco em comum no início de junho com a ocorrência de chuvas de granizo e impacto significativo nessas regiões. Agora o clima tende a voltar para uma normalidade dessa época, um período um pouco mais seco, de temperaturas um pouco mais elevadas, que eu creio que vai nos ajudar bastante a recuperar o nosso ritmo normal da colheita”, avalia Caio Oliveira, gerente regional Sistema FAEMG.
SUL SEGUE EM ALERTA
Já na região Sul do Brasil, a passagem de uma nova frente fria voltou a provocar chuva e deve manter o padrão mais úmido ao longo das próximas semanas. Segundo o meteorologista Denis William Garcia, da Meteored, os maiores acumulados devem se concentrar entre Santa Catarina, Paraná e o extremo sul do Rio Grande do Sul até o fim de julho.
“Já temos instabilidades atuando sobre boa parte de Santa Catarina, no sul e sudoeste do Paraná, com nuvens bastante desenvolvidas, que provocam chuvas e até mesmo chuvas intensas", afirma Garcia.
De acordo com o meteorologista, os maiores volumes devem ocorrer em Santa Catarina e no sul do Paraná, onde os acumulados podem variar entre 100 e 125 milímetros até o final do mês. O extremo sul do Rio Grande do Sul também aparece com previsão de chuva expressiva, com volumes superiores aos 100 mm em alguns pontos.
Para o produtor rural da região, o cenário favorece a reposição da umidade do solo, mas exige atenção para possíveis interrupções em atividades de campo, principalmente para os cultivos de inverno como trigo, canola e aveia.
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