Safra robusta e avanço da colheita mantêm futuros do milho pressionados na B3 nesta terça-feira

Chicago estendeu os ganhos de olho nas perdas da safra europeia e atenção ao clima dos EUA
Publicado em 07/07/2026 16:43

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A terça-feira (7) termina com os preços internacionais do milho futuro acumulando mais um dia de movimentações positivas na Bolsa de Chicago (CBOT). 

Segundo Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting, o mercado do milho na CBOT está buscando um suporte com base nos US$ 4,40 para os meses curtos e tentando segurar nos US$ 4,80 para o vencimento de julho/27. 

“Há um leve viés de alta em Chicago por conta da grande quebra de safra da Europa. A safra dos Estados Unidos também será limitada porque plantou 1,5 milhão de hectares a menos e vai ter menos milho exportável. O ambiente do milho lá fora busca esse suporte de base e tem leve viés de alta”, diz o analista. 

Porém, Brandalizze alerta que o mercado segue de olho no clima para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas e isso pode alterar a dinâmica de mercado a qualquer momento. “Se o clima melhorar na semana que vem e não tiver problemas ao avançar a fase de amadurecimento, ele automaticamente vai começar a acomodar porque depois que começou a encher os grãos com umidade e temperatura adequada a safra se define”. 

O vencimento julho/26 foi cotado a US$ 4,42 com ganho de 1,75 ponto, o setembro/26 valeu R$ 4,43 com alta de 5,50 pontos, o dezembro/26 foi negociado por US$ 4,64 com valorização de 6,50 pontos e o março/27 teve valor de US$ 4,79 com elevação de 6,50 pontos. 

Esses índices representaram altas, com relação ao fechamento da última segunda-feira (6), de 0,40% para o julho/26, de 1,25% para o setembro/26, de 1,42% para o dezembro/26 e de 1,38% para o março/27. 

Mercado Interno 

Na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho terminaram o pregão desta terça-feira com movimentações em campo misto e com pouco amplitude de flutuações. 

De acordo com a avaliação da StoneX, a combinação de uma safra de verão robusta e uma safrinha ainda volumosa, apesar de perdas pontuais em estados como Goiás e Minas Gerais, mantém o mercado bem abastecido no curto prazo e ajuda a explicar a pressão observada sobre os preços da B3 nas últimas semanas. 

“Embora a demanda doméstica siga forte e em expansão, a baixa competitividade do milho brasileiro no mercado internacional tem contribuído para reter maior volume do cereal no mercado interno. Em 2025, a produção recorde dos Estados Unidos reforçou a competitividade do país nas exportações globais, e em 2026 a Argentina também colhe uma safra histórica, ganhando espaço no comércio internacional em meio à redução das tarifas de exportação. A valorização do real ao longo dos últimos 18 meses complementa esse movimento, reduzindo a atratividade do milho brasileiro no exterior”, comenta Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX. 

Para o segundo semestre, no entanto, o foco se volta para fatores que podem alterar esse quadro.  

“No mercado internacional, o desempenho da safra norte-americana seguirá determinando o equilíbrio global, uma nova safra cheia nos Estados Unidos tende a manter pressão sobre Chicago e limitar a recuperação dos preços domésticos, embora isso ainda não possa ser garantido no atual estágio de desenvolvimento da lavoura americana. No Brasil, além da volatilidade cambial, que pode se intensificar com a aproximação do ciclo eleitoral, cresce a atenção sobre a safra 2026/27. Após uma temporada excepcional, dificilmente a produção de verão repetirá o mesmo desempenho: custos mais elevados de fertilizantes podem limitar a área plantada, enquanto um eventual padrão de El Niño aumenta o risco de atrasos na semeadura da soja e, consequentemente, de plantio fora da janela ideal para o milho safrinha”, aponta Bulascoschi.  

“Diante desse cenário, embora o balanço de milho brasileiro ainda indique conforto no curto prazo, os riscos para o médio prazo parecem mais inclinados para uma recuperação dos preços do que para novas quedas", acrescenta o analista. 

No Mato Grosso, as cotações do milho seguem em queda desde maio, refletindo a expectativa de uma safra elevada. O Imea (Instituto Mato-grossense de economia agropecuária) estima produção de 53,35 milhões de toneladas nesta safra 2025/26. 

“Com a colheita da safra 25/26 avançando e alcançando 44,27% da área implantada até a última sexta-feira, aliada aos elevados rendimentos das lavouras, a maior disponibilidade do cereal tem pressionado as cotações no mercado mato-grossense", destacam os técnicos do Imea. 

Na última semana, o preço médio do milho no estado ficou em R$ 40,44 a saca, após recuar 1,53% em relação à semana anterior. “O volume produzido no estado segue superior ao ritmo de absorção do mercado, mantendo a pressão baixista sobre as cotações”, acrescenta o Instituto. 

Confira como ficaram todas as cotações nesta terça-feira 

O vencimento julho/26 foi cotado a R$ 64,85 com baixa de 0,09%, o setembro/26 valeu R$ 68,25 com perda de 0,15%, o janeiro/27 foi negociado por R$ 74,00 com ganho de 0,14% e o março/27 teve valor de R$ 75,45 com queda de 0,11%. 

No mercado físico brasileiro o preço da saca de milho se movimentou pouco neste segundo dia da semana. O levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas identificou valorizações somente nas praças de Sorriso/MT e Campinas/SP.  

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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