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Produção de milho do Brasil tem potencial para superar a de soja, mas atual cenário coloca próxima safra em xeque

Publicado em 15/05/2026 07:37 e atualizado em 15/05/2026 10:56
Explosão dos custos, preços baixos e dificuldades de crédito podem reduzir investimentos dos produtores

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Na década de 70, o Brasil registrava produtividades médias para o milho na casa das 30 sacas por hectare. Hoje, esse patamar já está em 200 sc/ha. Ao longo das últimas décadas, o país saltou 500% em produção, tendo aumentado apenas 80% em área semeada. 

Esses números comprovam a força do cereal no país e demonstram o potencial que a cultura tem para continuar avançando nos próximos anos. Na opinião do diretor-executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o Brasil deve produzir três vezes mais milho do que soja em um futuro próximo. 

“São cerca de 2 milhões de produtores no Brasil que cultivam para um mercado crescente. O crescimento do etanol de milho é fundamental para fomentar o cultivo, somente uma empresa do biocombustível hoje consome cerca de 12% de todo o milho produzido no Brasil”, comenta Silveira. 

“Hoje o milho saiu do papel secundário que ele tinha e se ganhou a mesma importância da soja. O milho dilui o custo fixo da propriedade e traz mais viabilidade para o negócio. Quanto mais milho a gente produz, mais a conta fecha”, afirma o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier. 

Porém, antes de mirar neste crescimento e em assumir o posto de maior cultivo do Brasil, o setor irá precisar superar as dificuldades impostas para o próximo ciclo 2026/27. Entre os principais obstáculos estão altos custos de produção, preços aquém do esperado para comercialização e dificuldades para obter crédito e financiamentos, o que pode reduzir o ímpeto do produtor brasileiro. 

“A maior dificuldade está nona preço e disponibilidade de fertilizantes, o que pode impactar a próxima safra de milho. Não acredito em redução de área, mas deve haver retração no nível tecnológico empregado pelo produtor”, avalia Paulo Bertolini, presidente da Abramilho. 

“Estamos passando por duas guerras simultâneas. A primeira delas, já há quatro anos, traz problemas com fertilizantes. Agora, no Oriente Médio, além dos fertilizantes, a logística está sendo muito afetada, com produtos parados no Estreito de Ormuz. Os preços das commodities estão em baixa, o dólar está caindo e os insumos subindo. É uma “tempestade perfeita” para dificuldades na agricultura”, comenta a Senadora e ex-Ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina 

As questões econômicas também entram na conta das dificuldades para a temporada 26/27. “Os juros não cabem mais no bolso do agricultor brasileiro. Precisamos pensar em um novo modelo para o Plano Safra porque o que existe hoje já não é mais compatível com as necessidades do agro”, pontua Cristina. 

Outro parlamentar que se manifestou nessa linha é o Deputado Federal e Presidente da FPA, Pedro Lupion. “O atual modelo do Plano Safra está completamente defasado, não é mais equivalente ao tamanho da produção brasileira. Hoje, menos de 20% do financiamento do setor vem de custeio do tesouro nacional”. 

O vice-presidente da Aprosoja MT também destacou a necessidade de reestruturação do crédito agrícola, especialmente em um cenário que já tem muitos produtores endividados. 

“O produtor do Mato Grosso está endividado como nunca, mas o problema não é falta de dinheiro, e sim a falta de garantias de pagamento do produtor. O produtor não consegue se refinanciar e a engrenagem parou. Precisamos de alternativas para fazer essa roda voltar a girar”, diz Bier. 

“O produtor rural está endividado e um terço desse passivo hoje é com bancos. Os bancos têm dinheiro para disponibilizar ao mercado, mas pegar dinheiro a 18% de juros é uma insanidade”, avalia a senadora. 

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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