Tarifas de Trump: impactos sobre o milho brasileiro ainda são indiretos
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As novas tarifas anunciadas por Donald Trump contra as exportações brasileiras para os Estados Unidos provocaram reação imediata no câmbio e acenderam o alerta entre analistas do agronegócio. No setor de milho, os efeitos ainda são avaliados como indiretos, mas com potenciais desdobramentos caso o embate comercial se intensifique.
Segundo Enilson Nogueira, analista da Céleres Consultoria, o principal reflexo até agora está no câmbio, com o dólar reagindo à incerteza política e comercial entre os países. “Ontem, o dólar subiu 1%. Esse movimento tende a ser um ponto de suporte, mesmo que pontual, para as cotações internas do milho”, explica.
Outro possível impacto está na cadeia da carne bovina, que utiliza o milho como base na formulação de ração animal. “Os EUA consomem de 5% a 10% da carne bovina exportada pelo Brasil. Com o aumento de tarifas, há chance de retração nessa demanda, o que pode reduzir o consumo de milho internamente”, avalia o analista.
Para Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, o cenário ainda é marcado por muita incerteza, e a volatilidade no câmbio deve seguir como principal termômetro. “Esse movimento todo gerou uma euforia misturada com pânico, e isso traz uma volatilidade muito grande. Não sabemos até que ponto o dólar pode subir. Se isso se prolongar, culturas como café, laranja e carnes serão penalizadas.”
No caso do milho especificamente, ele pondera que o Brasil não exporta volumes significativos aos EUA, o que isenta o cereal das tarifas de forma direta. Ainda assim, o analista reforça que queda na demanda por carne bovina pode provocar ajustes no consumo de milho.
Por ora, Rafael lembra que o principal fator de pressão nos preços continua sendo a safra volumosa que vem sendo colhida. “O produtor precisa focar em exportar. O mercado interno, por si só, não vai absorver tudo. E ainda temos uma safra americana indo bem, o que também pode pesar nos preços lá na frente.”
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