Congestionamento nos portos chineses mantém alerta para importadores brasileiros
O congestionamento nos principais portos asiáticos continua pressionando o transporte marítimo internacional e exige atenção das empresas brasileiras que dependem de importações da China. Após atingir o recorde de 4,3 milhões de TEUs em capacidade de navios aguardando atracação no fim de agosto, o volume recuou, mas permanece elevado. Segundo a Linerlytica, 3,92 milhões de TEUs, equivalentes a 11,4% da frota mundial, ainda estavam retidos em fundeadouros na última atualização disponível.
O problema é particularmente relevante no eixo Xangai-Ningbo. A passagem de tufões provocou novas interrupções e acumulou atrasos nas operações. Em alguns terminais de Xangai, o tempo de espera supera nove dias, enquanto a Linerlytica registra casos de atrasos superiores a dez dias na região.
Para os importadores brasileiros, o cenário aumenta o risco de atrasos na chegada de matérias-primas, componentes e produtos acabados, além de custos adicionais com armazenagem, demurrage, reagendamentos e mudanças de rota.
“Mesmo com alguma redução em relação ao pico da semana passada, o nível de congestionamento continua muito elevado. O problema não é apenas a fila de navios, mas o efeito que esses atrasos provocam em toda a programação. Um navio que atrasa em um porto pode comprometer as escalas seguintes e aumentar a imprevisibilidade para o importador”, afirma Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group.
Margem de segurança
Diante do cenário, o Fiorde Group recomenda que empresas com embarques a partir do Leste da China ampliem a margem de segurança dos prazos, especialmente nas operações envolvendo Xangai e Ningbo. Também é importante confirmar previamente a programação dos navios, a disponibilidade de contêineres e as condições de recebimento dos terminais.
“O importador precisa acompanhar a operação diariamente e não trabalhar apenas com o prazo originalmente informado. Quanto mais cedo um possível atraso é identificado, maior é a possibilidade de buscar uma alternativa antes que o problema afete o abastecimento”, explica Mauro.
Para cargas críticas, o executivo recomenda avaliar antecipadamente portos e rotas alternativas, além de soluções aéreas, ferroviárias ou multimodais. A orientação também é considerar no planejamento possíveis despesas adicionais provocadas por armazenagem, demurrage e reagendamentos.
“A logística internacional está cada vez mais exposta a eventos climáticos, geopolíticos e operacionais. Por isso, as empresas precisam incorporar a gestão de riscos ao próprio planejamento de compras e importações. Ter alternativas previamente avaliadas pode reduzir muito o impacto de uma interrupção”, conclui Mauro.
O cenário reforça que, mesmo após o recuo em relação ao recorde de agosto, a normalização das operações ainda exige cautela. Para empresas brasileiras que dependem de fornecedores asiáticos, acompanhar diariamente a situação dos portos e trabalhar com alternativas logísticas pode ser decisivo para evitar impactos no abastecimento.
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