CNA e Federações percorrem BR-319 e avaliam desafios logísticos da Região Norte

Expedição passou por Amazonas e Rondônia e conheceu de perto as dificuldades para o escoamento da produção agropecuária
Publicado em 19/08/2026 08:42

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), junto com as Federações de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Acre (Faeac), Roraima (Faerr) e Rondônia (Faperon), realizou, de 9 a 13 de agosto, uma expedição pela região Norte para conhecer a infraestrutura utilizada no escoamento da produção agropecuária e as dificuldades enfrentadas pelos produtores para transportar a safra. 

A agenda incluiu visitas a estruturas logísticas e portuárias em Rondônia e no Amazonas e um percurso de mais de 889 quilômetros pela BR-319. Começou em Porto Velho, onde a comitiva passou pela sede da Faperon e visitou estruturas das empresas Bertolini, Cargill e Mega Logística. De lá, seguiu para Humaitá (AM), onde conheceu as Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4).  

O percurso continuou pela BR-319 até Careiro Castanho e Manaus, onde a missão visitou o Estaleiro da Bertolini e o Super Terminais (cargas conteinerizadas).

O presidente da Comissão de Infraestrutura e Logística da CNA, Mário Borba, destacou o papel da missão para conhecer de perto a realidade da rodovia e dos portos da região. 

 “O nosso objetivo era o reconhecimento da 319, que foi criada nos anos 70, e já foi toda asfaltada. Porém, hoje se encontra abandonada e agora está em fase de recuperação. Também visitamos os portos fluviais da região desde Porto Velho, Rio Madeira e Manaus.” 

egundo Borba, a missão resultará em um relatório amplo, que será apresentado posteriormente a autoridades do setor de infraestrutura e logística e a parlamentares que possam contribuir com políticas públicas para o desenvolvimento da região. 

O presidente da Faea e vice-presidente da CNA, Muni Lourenço, reforçou o caráter estratégico da BR-319 para a integração regional e, do Arco Norte, para o escoamento da produção. 

“Verificamos as condições e constatamos a importância do reasfaltamento desse corredor de integração econômica que vai tirar do isolamento Amazonas e Roraima. E, além disso, visitamos portos e terminais extremamente estratégicos que compõem o Arco Norte, tão importante para o escoamento e para o agro brasileiro.” 

Hélio Dias, presidente da Faperon, acredita que a missão foi promovida em um momento importante em que ocorre a recuperação da BR-319, corredor necessário para o escoamento e integração entre Manaus e Porto Velho e o restante do Brasil.  

“Essa recuperação é muito necessária principalmente para o estado de Rondônia e Mato Grosso, pois existe um mercado muito grande em Manaus, um mercado consumidor de produtos da agricultura e pecuária que Rondônia tem como abastecer.” 

 Para o vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, o avanço da produção agropecuária brasileira exige melhorias na infraestrutura e maior aproveitamento das hidrovias e dos portos da região. 

 “Para sermos uma potência mundial, temos que desenvolver a nossa logística e infraestrutura, mas também podemos aproveitar o legado que temos aqui, que foi um presente da natureza, os imensos rios da região usados pelo agronegócio brasileiro, como, por exemplo, o Rio Madeira, e todos os portos localizados no chamado Arco Norte.” 

O vice-presidente da Faeac, Edivan de Azevedo, também ressaltou o papel da rodovia na integração da Amazônia Ocidental. 

“A BR-319 é fundamental para integração da Amazônia Ocidental. Essa rodovia com fluxo contínuo e sendo asfaltada, vai nos integrar automaticamente com o Peru e aos oceanos Atlântico e Pacífico. Uma oportunidade que o produtor do Acre tem de colocar seus produtos em Manaus, o melhor mercado consumidor da Amazônia Ocidental.” 

A assessora técnica da Comissão de Logística da CNA, Elisangela Pereira Lopes, explicou que a expedição permitiu conhecer os terminais utilizados no escoamento de grãos e a situação da BR-319. 

“Mesmo tendo sido construída em 1970 e hoje possuindo uma infraestrutura precária, ela é necessária para a movimentação não só de cargas, mas de pessoas que dependem dessa ligação.”

Edeon Vaz Ferreira, diretor-executivo da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (Adecon), realizou palestra sobre a movimentação de cargas pelos portos do Arco Norte durante a visita ao terminal da Cargill.  

Ele apresentou dados sobre os fluxos de grãos e as características da infraestrutura portuária e hidroviária utilizada no escoamento da produção e ressaltou a importância do projeto de outorga dos rios, inclusive o Madeira e Tapajós, para assegurar condições adequadas de navegação, ampliar a confiabilidade do corredor hidroviário e garantir maior segurança e previsibilidade ao transporte de cargas. 

Durante a agenda, a comitiva conheceu ainda o Super Terminais, terminal portuário privado, em Manaus. O diretor-geral, Marcello di Gregório, explicou que o terminal movimentou 150 mil contêineres em 2025 e responde por 50% da carga que entra e sai da capital amazonense. Segundo ele, os períodos de seca reduzem a capacidade de ocupação dos navios e, em situações mais severas, podem exigir o desvio das operações para outros portos. 

Impacto para os produtores  - Em Careiro Castanho (AM), a produtora Maria Izabel Melo Nogueira, atendida pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Amazonas, produz abacaxi, trabalha com granja e comercializa ovos. Ela e a família vivem na região há mais de 30 anos e possuem atualmente 15 mil pés de abacaxi plantados. 

Para Maria Izabel, a BR-319 é essencial para quem produz e vive na região. “Para mim essa BR é tudo, sem ela não tem como vir produtos de outros lugares.” 

O marido, Francisco Nogueira, apontou que, além da estrada, a estrutura do porto também dificulta o escoamento. 

"Nossa grande dificuldade para enviar a produção é porto. Daqui para lá temos estrada, mas o porto só cabe uma balsa. Para uma entrar outra tem que sair. Esperamos mais por isso do que na viagem.”  

Segundo ele, a rodovia também é importante para a chegada de insumos utilizados na atividade agropecuária. 

“O estado não produz insumos, vem todos de fora. Para produzir animais, por exemplo, a soja e o milho precisam vir do Mato Grosso, e tem que ser pela BR porquê de navio sai muito caro. Então, para nós, essa estrada é muito importante.” 

O produtor Jefferson Araújo, que atua com pecuária de corte, relacionou a melhoria da BR-319 ao futuro da propriedade e à sucessão familiar. 

“Que ela veja o progresso do nosso estado, cada vez melhor, através da BR-319, prosperar em todos os sentidos. A BR vai ajudar muito os amazonenses, roraimenses e o resto do mundo porque nós estamos agora sendo ligados ao um porto, o que vai ser essencial para a economia do Brasil.” 

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Fonte:
CNA

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