Sindicatos de transportes da Argentina fazem greve contra medidas de austeridade de Milei
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BUENOS AIRES (Reuters) - Uma greve de 24 horas iniciada nesta quarta-feira pelos sindicatos de transportes da Argentina contra as medidas de austeridade do presidente Javier Milei bloqueou carregamentos de grãos em um importante centro e afetou milhares de pessoas devido à falta de operação de trens e aviões.
Os trabalhadores protestavam contra uma série de demissões em massa em órgãos públicos feitas por Milei e exigiam salários mais altos, com o governo avançando com medidas de austeridade para equilibrar suas contas em meio a uma grande crise econômica.
A greve estava impedindo que navios atracassem ou partissem dos portos de grãos em Rosário, segundo uma importante câmara portuária, prejudicando o comércio na Argentina, a maior exportadora de farinha de soja do mundo e uma importante fornecedora de milho e trigo.
"O sindicato responsável por amarrar e desamarrar os barcos não está permitindo que eles atraquem ou partam", disse o chefe da câmara CAPyM, Guillermo Wade, à Reuters. "O restante do porto está funcionando normalmente, carregando navios e descarregando caminhões."
A greve também afetou atividades nos portos de Buenos Aires, La Plata, Bahia Blanca e Rosário, a coleta de lixo e viagens aéreas, atrasando voos operados pela companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas e outras.
Alguns sindicatos protestavam contra os planos de Milei de privatizar a Aerolíneas Argentinas, que reduziu sua força de trabalho nos últimos meses. Sindicatos de educação que exigem orçamentos mais altos para as universidades também aderiram à greve.
Os ônibus eram o único meio de transporte operando normalmente porque os sindicatos que representam os trabalhadores do setor planejam realizar uma greve separada na quinta-feira, enquanto negociam um aumento salarial.
"Tenho que trabalhar e isso está me arruinando. Acho que a greve está errada", disse um trabalhador entrevistado pela emissora La Nacion+, enquanto estava em uma longa fila em um ponto de ônibus. "Levei uma hora e meia para chegar aqui", acrescentou.
Omar Maturano, chefe de um sindicato de condutores de trens, disse ao canal TN que a greve foi a única maneira que os trabalhadores encontraram para "lutar contra a política econômica e social (do governo)".
(Por Maximilian Heath)
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