Furacão Ian piora cenário para indústria de suco de laranja dos EUA
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Por Marcelo Teixeira
NOVA YORK (Reuters) – É provável que o furacão Ian tenha piorado o que já se esperava como a menor safra de laranja dos EUA em 55 anos, depois que atingiu uma grande área de produção quando passou pela Flórida nesta semana, inundando fazendas e levando à queda de frutos das árvores.
Informações precisas sobre as perdas para os produtores de citros na Flórida, um dos maiores produtores, levarão dias para serem divulgadas, disseram analistas, já que as pessoas na área lidam com quedas de energia e inundações dificultam a verificação das fazendas.
Os contratos futuros de suco de laranja saltaram nas últimas três sessões.
Já se esperava que a produção de laranja da Flórida fosse fraca, pois as áreas plantadas vêm caindo anualmente devido à expansão imobiliária e à disseminação do greening, doença que afeta de forma drástica a produção.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), a produção de laranja do país deve cair 13%, para 3,5 milhões de toneladas, segundo estimativa divulgada antes da tempestade.
“Alguns dos produtores que ainda estão investindo na produção de citros na Flórida, combatendo a doença com novas variedades, serão duramente atingidos por esta tempestade”, disse a analista de commodities softs Judy Ganes.
Ela disse que os ventos fortes provavelmente “transportaram” o greening de fazendas de laranja abandonadas para outras renovadas, desperdiçando o trabalho e o investimento.
As consequências do Ian seriam ruins para a indústria de sucos.
Embora as importações do Brasil e do México representem atualmente a maior parte do suco de laranja consumido nos Estados Unidos, a produção da Flórida é importante para o setor, sendo majoritariamente da variedade não concentrada (NFC).
Os fornecedores estrangeiros preferem exportar o suco de laranja concentrado congelado (FCOJ), pois ocupa menos espaço nos navios.
Ganes disse que, se houver escassez de suco NFC no mercado, ou se os preços dispararem, a indústria poderá perder ainda mais participação para outras bebidas.
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