Inverno aumenta desafios fitossanitários e reforça importância do manejo preventivo em hortaliças

Diante do aumento da pressão de doenças e pragas nesta época do ano, especialistas recomendam investir em estratégias preventivas e tecnologias eficientes para reduzir perdas e preservar a produtividade das lavouras de batata e tomate
Publicado em 06/07/2026 10:02

As condições típicas do inverno brasileiro, marcadas por temperaturas mais amenas, formação frequente de orvalho, maior permanência da umidade sobre as plantas e menor evaporação, favorecem o desenvolvimento de doenças fúngicas e a incidência de importantes pragas na horticultura. Em 2026, esse cenário ganha ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e da expectativa de um evento de El Niño mais persistente, capaz de alterar o regime de chuvas e elevar a pressão fitossanitária em diversas regiões produtoras.

Nesse contexto, especialistas alertam que o sucesso da safra dependerá cada vez mais da capacidade dos produtores de antecipar problemas e investir em estratégias preventivas de manejo, especialmente em culturas de alto valor agregado, como batata e tomate.

Segundo o engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA para Hortifruti, João Silvatti, a atenção deve ser permanente. “A infestação de doenças e pragas pode ser silenciosa e extremamente agressiva. Muitas vezes, quando o produtor percebe os sintomas, esses problemas já estão disseminados, tornando o controle mais difícil”, afirma.

Em um cenário de maior instabilidade climática e custos elevados de produção, decisões baseadas em monitoramento, prevenção e tecnologias adequadas podem representar um diferencial competitivo para o horticultor. Mais do que reagir ao aparecimento de doenças e pragas, a tendência do setor é investir em programas integrados de manejo que combinem conhecimento técnico, inovação e proteção fitossanitária, contribuindo para maior segurança operacional, qualidade dos produtos e sustentabilidade da produção.

Requeima e rizoctoniose estão entre as principais ameaças fúngicas

A batata e o tomate estão entre as hortaliças de maior importância econômica do País, mas também figuram entre as mais vulneráveis a doenças capazes de reduzir significativamente a produtividade e a qualidade. A principal delas é a requeima (Phytophthora infestans), uma das enfermidades mais destrutivas desses cultivos. Favorecida por ambientes úmidos e temperaturas entre 18°C e 24°C, comuns nesta época do ano, a doença se espalha rapidamente, sobretudo em plantações densas, podendo comprometer a lavoura em poucos dias.

Dados da Embrapa apontam que as perdas provocadas pela requeima na batata podem variar de 10% a 50% da produção, dependendo da gravidade da infecção. No tomate, o impacto pode representar reduções entre 20% e 70%. Sem manejo adequado, as perdas podem chegar a 100% em ambas as culturas.

Outra preocupação dos produtores é a rizoctoniose (Rhizoctonia solani), doença que afeta o desenvolvimento inicial das plantas, provoca a morte de brotos, reduz a formação e o tamanho dos tubérculos e causa as conhecidas crostas escuras superficiais, chamadas de mancha-asfalto, depreciando a qualidade comercial da produção. Quando não controlada, pode reduzir em até 30% a produtividade da cultura da batata.

“Quando as condições climáticas favorecem o desenvolvimento dos patógenos, o monitoramento frequente e a adoção de um programa preventivo fazem toda a diferença. O produtor precisa atuar antes que a doença esteja instalada para preservar o potencial produtivo da lavoura”, destaca Silvatti.

Tecnologias reforçam o manejo preventivo de doenças

Para enfrentar esses desafios, programas integrados de manejo têm incorporado fungicidas com diferentes mecanismos de ação e características complementares. Entre as tecnologias disponíveis para o manejo da requeima está o COMPLETTO, indicado para ação imediata nos primeiros sinais da doença, além de oferecer proteção ao longo de todas as fases do ciclo da cultura. A tecnologia garante alto potencial de controle, efeito curativo e ação sistêmica antiesporulante, contribuindo para reduzir a disseminação dos esporos na lavoura.

Em momentos de alerta, quando as condições climáticas começam a favorecer o avanço da requeima, com temperaturas amenas e elevada umidade, uma das alternativas é o TOTALIT. O fungicida multicultura combina ação sistêmica e de contato, proporcionando maior período de controle e proteção duradoura contra a doença, além de contribuir para estratégias de manejo de resistência em períodos de maior pressão fitossanitária.

Já para o controle da rizoctoniose, o MONCUT, fungicida sistêmico desenvolvido para a cultura da batata, atua na proteção de estolões, ramas e tubérculos desde as fases iniciais do desenvolvimento. A tecnologia favorece a uniformidade do estande, melhora a qualidade da pele dos tubérculos e aumenta a proporção de batatas com padrão comercial superior, fatores que impactam diretamente a produtividade e a qualidade final da colheita.

Pragas também exigem monitoramento contínuo

Além das doenças, o inverno mantém elevada a importância do controle de pragas na horticultura. Em culturas como tomate, batata e diversas hortaliças, insetos sugadores e mastigadores podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos produtos destinados ao mercado. Entre os principais alvos estão mosca-branca, pulgões, mosca-minadora, traça-do-tomateiro e vaquinha-da-raiz.

Entre as soluções voltadas ao manejo de múltiplas pragas está o ELEITTO, inseticida com registro para mais de 40 culturas e uma extensa lista de alvos. Com amplo espectro de ação e baixo período de carência, é indicado para o controle de mosca-das-frutas, mosca-branca, pulgões e mosca-minadora. Sua flexibilidade de uso, inclusive em fases próximas à colheita, contribui para programas de manejo mais eficientes.

Na cultura da batata, a IHARA ampliou recentemente seu portfólio com o lançamento do ZEUS para o controle da vaquinha-da-raiz (Diabrotica speciosa). Aplicado no sulco de plantio, o inseticida apresenta elevada sistemicidade, sendo rapidamente absorvido pela planta e proporcionando proteção à batata-semente e ao desenvolvimento inicial da cultura contra uma das pragas de maior impacto econômico.

No tomate, a traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) segue entre as pragas de maior relevância econômica. Para esse desafio, o inseticida CHASER EW atua por contato e ingestão, promovendo com rápida paralisação da alimentação e eliminação dos alvos em até 72 horas. Sua formulação reúne ação lagarticida e ovicida, impedindo o desenvolvimento do embrião dentro do ovo e favorecendo o controle precoce da infestação. Além disso, apresenta boa permanência do ativo na planta  mesmo em condições de chuva, contribuindo para ampliar o período de proteção e reduzir a necessidade de reaplicações.

Para João Silvatti, a evolução dos desafios fitossanitários exige uma agricultura cada vez mais técnica e preventiva. “O produtor que investe em monitoramento, planejamento e ferramentas adequadas amplia sua capacidade de enfrentar períodos de maior pressão de doenças e pragas. O manejo antecipado não apenas protege a lavoura, mas contribui para melhores resultados em produtividade, qualidade e rentabilidade ao longo da safra”, conclui.

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Fonte:
Ihara

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