Consumo de hortaliças segue abaixo do recomendado e mercado interno ainda tem espaço para crescer
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O consumo de frutas e hortaliças no Brasil segue abaixo do ideal recomendado por órgãos de saúde, enquanto o mercado de alimentos frescos apresenta sinais de expansão no varejo e no atacado. Um estudo publicado pela revista Cadernos de Saúde Pública, com base em dados do Vigitel entre 2008 e 2023, mostra que apenas 22,5% dos brasileiros adultos consomem frutas e hortaliças na quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa, que analisou quase 700 mil entrevistas, também aponta queda nesse consumo entre 2015 e 2023, reforçando um desafio de saúde pública e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para o setor produtivo.
No campo econômico, o Cepea/Esalq-USP indica que o segmento de frutas, legumes e verduras (FLV) vem registrando maior presença no consumo das famílias brasileiras, embora com forte oscilação de preços e margens pressionadas ao longo da cadeia produtiva. Segundo a instituição, o aumento da oferta e a variação climática têm influenciado o comportamento do mercado, impactando diretamente a rentabilidade do produtor, mesmo com crescimento no volume comercializado.
Esse cenário de consumo abaixo do recomendado e mercado em transformação ajuda a explicar iniciativas que buscam estimular a demanda por alimentos frescos. Uma delas foi apresentada durante a 31ª edição da Hortitec 2026, em Holambra (SP), onde ações de valorização de hortaliças ganharam espaço com foco em aproximar consumidores da produção agrícola e incentivar hábitos alimentares mais saudáveis.
Hortitec destaca receitas e aproxima consumidor do campo
Entre as atrações do evento, uma iniciativa chamou atenção ao transformar receitas de produtores rurais em experiências gastronômicas dentro da feira. Pratos preparados com tomate, cenoura, alho, cebola e batata foram apresentados ao público como forma de demonstrar a versatilidade das hortaliças no consumo diário.
Segundo Fábio Maia, gerente de Portfólio de Frutas e Vegetais da Bayer, a proposta busca valorizar tanto o alimento quanto o trabalho no campo. "A intenção do Raízes do Sabor é uma ação pioneira da Bayer que visa promover o consumo saudável de hortaliças e frutas dentro do estande. A gente entende que é uma oportunidade muito importante para divulgar as receitas de nossos clientes", explica.
O projeto está em sua quarta edição na Hortitec e reúne sugestões enviadas pelos próprios agricultores parceiros. "São receitas familiares, caseiras, sugestões de clientes da Bayer que a gente tenta reproduzir aqui, sempre ligadas às hortaliças produzidas por eles. É uma satisfação envolver produtores e consumidores nessa experiência, estimulando um consumo saudável e nutritivo dos vegetais", afirma Maia.
Durante o evento, diferentes pratos foram preparados diariamente, reforçando o uso de ingredientes comuns na produção brasileira. “Fizemos yakisoba com cenoura, cebola e alho, acompanhado de salada de tomate. Cada dia trouxemos novas combinações para o consumidor ter essa experiência”, explicou o gerente.
Baixo consumo abre espaço para expansão do mercado
A diferença entre o consumo recomendado e o consumo real de hortaliças no Brasil representa um dos principais potenciais de crescimento do agronegócio voltado à produção de alimentos frescos. A Organização Mundial da Saúde recomenda cerca de 400 gramas diárias de frutas e hortaliças, patamar ainda distante da realidade brasileira.
Dados do próprio setor reforçam esse cenário. O Cepea destaca que o mercado de hortifrúti no Brasil vem se expandindo em volume e presença no varejo, mas ainda sofre com forte volatilidade de preços e desafios de rentabilidade no campo, o que exige maior eficiência produtiva e estratégias de valorização do consumo.
Para o produtor rural, esse conjunto de informações indica um ponto central: existe demanda potencial reprimida. Ou seja, quanto mais o consumo interno se aproximar das recomendações nutricionais, maior tende a ser o espaço para absorção da produção agrícola nacional.
Nesse contexto, iniciativas apresentadas em feiras como a Hortitec ganham relevância ao conectar consumo, alimentação saudável e valorização do produto rural. O desafio do setor, segundo analistas, está em transformar o baixo consumo atual em oportunidade de crescimento sustentável para toda a cadeia de hortaliças no Brasil.
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