Sanidade sob pressão: mosca-branca pode causar perdas de até 100% e tecnologia redefine o manejo do tomate

Dados da Embrapa e literatura científica mostram impacto severo de viroses no tomate; genética e manejo integrado ganham força como resposta no Brasil.
Publicado em 23/06/2026 06:39 e atualizado em 23/06/2026 08:03

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A cultura do tomate está entre as mais sensíveis à pressão de pragas e doenças no Brasil. Entre os principais fatores de risco está a mosca-branca (Bemisia spp.), inseto associado tanto a danos diretos quanto à transmissão de viroses que comprometem o desenvolvimento da planta ao longo de todo o ciclo produtivo.

Segundo dados técnicos da Embrapa, com base em levantamentos e estudos científicos sobre geminiviroses na cultura do tomate (Bezerra et al., 1996; Haji et al., 1996a; 1996b; França et al., 1996; Lima & Haji, 1998; Lima et al., 2001), as perdas podem variar de 30% a 100%, dependendo da severidade da infestação e das condições de manejo da lavoura. Em casos extremos, áreas produtivas podem ser totalmente comprometidas.

Esse cenário reforça o tomate como uma cultura de alto investimento e elevada vulnerabilidade fitossanitária, especialmente em regiões com alta pressão de mosca-branca e presença de vírus associados.

Mosca-branca e geminivírus: combinação que amplia perdas no tomate

A Embrapa destaca que a mosca-branca é um inseto de ampla distribuição, alta capacidade de reprodução e grande número de plantas hospedeiras. Essas características favorecem sua permanência no ambiente agrícola durante todo o ano, dificultando o controle em campo aberto.

O principal impacto econômico está associado à transmissão de geminivírus, grupo de viroses que afeta diretamente o desenvolvimento da planta. Os sintomas incluem deformação foliar, redução de vigor, encurtamento de entrenós e queda de produtividade.

Em situações de alta infestação, a disseminação do vírus ocorre rapidamente dentro da lavoura, elevando o risco de perdas expressivas. Segundo a literatura técnica citada pela Embrapa, esse conjunto de fatores explica a amplitude dos prejuízos registrados na cultura do tomate no Brasil e em outros países produtores.

Visão técnica sobre manejo no campo

O responsável técnico comercial do Cerrado da Bayer, William Mastro, destaca que o controle da mosca-branca exige atenção desde o início do ciclo produtivo do tomate.

A mosca branca é um inseto que pode estar contaminado pelo vírus e a sua contaminação é muito rápida. Essa preocupação é desde o transplante da muda no campo até o final da lavoura”, afirma.

Segundo ele, o manejo precisa ser contínuo e integrado, combinando estratégias químicas, biológicas e genéticas ao longo de toda a produção.

Quanto mais cedo ela pode ser infectada pelo vírus, maior é o prejuízo. Por isso a gente tem que ficar atento a todo o ciclo com manejo químico e biológico”, completa.

A lógica atual de controle da praga não se baseia em uma única solução, mas na combinação de ferramentas tecnológicas aplicadas de forma estratégica.

Genética e resistência: avanço tecnológico no controle da pressão sanitária

A evolução dos materiais genéticos tem sido um dos principais pilares no enfrentamento da mosca-branca e das viroses associadas ao tomate. Cultivares modernas buscam reduzir a velocidade de infecção e aumentar a estabilidade produtiva em diferentes regiões do país.

Para o especialista, a escolha varietal é um dos pontos mais determinantes do sistema produtivo.

O importante é fazer a escolha de um material que resista e tenha boa performance na pressão dessa virose transmitida pela mosca”, afirma William Mastro.

Além da resistência, híbridos modernos também oferecem maior uniformidade de frutos, melhor pegamento e maior aproveitamento comercial, fatores que impactam diretamente a rentabilidade do produtor.

Manejo integrado ganha protagonismo na tomaticultura moderna

A Embrapa reforça que o controle da mosca-branca deve ser baseado em manejo integrado de pragas, envolvendo monitoramento constante, controle químico racional, uso de inimigos naturais e adoção de materiais resistentes.

A ausência de integração entre essas ferramentas pode acelerar o surgimento de resistência da praga e aumentar a pressão de viroses na lavoura. Isso torna o sistema produtivo mais instável e dependente de intervenções emergenciais.

Em cenários de alta pressão sanitária, a antecipação de estratégias é considerada essencial para reduzir perdas e estabilizar a produção ao longo do ciclo.

Tecnologia e decisão antecipada definem a rentabilidade do tomate

O avanço da tomaticultura brasileira está diretamente ligado à adoção de tecnologias que aumentem a resiliência do sistema produtivo. O uso de genética resistente, aliado ao manejo integrado, vem se consolidando como eixo central da proteção fitossanitária.

Mesmo assim, a mosca-branca permanece como um dos principais desafios da cultura, devido à sua capacidade de adaptação e à eficiência na transmissão de viroses.

A tendência do setor é de intensificação do uso de soluções integradas, com foco em reduzir perdas, aumentar previsibilidade e proteger a rentabilidade do produtor rural.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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