Juros e política fiscal foram temas abordados na programação da Abertura da Colheita do Arroz
A programação de palestras da 33ª Abertura Oficial da Colheita de Arroz e Grãos em Terras Baixas, nesta terça-feira, 14 de fevereiro, contou com o Painel “Cenário e perspectivas econômicas”, ministrado pelo economista e Superintendente de Tesouraria do Sicredi, Pedro Lutz Ramos. A palestra ocorreu no auditório Frederico Costa, na sede da Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado em Capão do Leão (RS), com a apresentação do vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Roberto Fagundes Ghigino.
Ramos iniciou sua palestra fazendo um panorama do cenário mundial em relação à crise com a Covid-19 e a Guerra na Ucrânia. Segundo ele, são eventos que ainda estão sendo digeridos e, em termos econômicos, provocam um grande movimento de inflação. “As consequências com a Covid foram linhas de produção fechadas, pessoas afastadas do trabalho e forte estímulo governamental para o consumo, sendo que por outro lado há dificuldade em produzir”, explicou, destacando também que a guerra tornou o processo inflacionário ainda pior ao tirar duas economias importantes, como Rússia e Ucrânia, para o fornecimento de trigo e petróleo ao mundo.
De acordo com o economista, parte relevante do problema inflacionário, no entanto, já está sendo tratada. Salientou que a principal consequência para este cenário é que há uma disparada de juros no globo. “Ao longo de 2023, as economias mais avançadas como Estados Unidos, Reino Unido e Europa, seguirão com os maiores patamares de juros dos últimos 15 anos. E, por consequência, a moeda norte-americana passa pelo ciclo de valorização mais longevo”, observou, destacando que o mundo desenvolvido, onde a inflação está mais latente, deve desacelerar bastante a economia, algo de 3% para perto de 1%, e o mundo emergente vai ser uma "gangorra".
Em relação aos commodities agrícolas, Ramos colocou que dificilmente as alimentícias sofrem em períodos em que o mundo desacelera o crescimento, então dificilmente haverá perda de valor. “O que é mais fácil de acontecer é que se tivermos uma intempérie climática, pode se ter ainda uma alta nesse processo”, explicou.
No entanto, Ramos afirmou que no final deste ano veremos a reversão desse processo. “Se tudo correr bem a inflação vai moderar de forma mais consistente, os juros vão se direcionar para cair ao longo de 2024. A volatilidade não vai mudar, mas a atividade econômica deve começar a acelerar devagar no final desse ano e ao longo de 2024”, enfatizou.
Para o Brasil, Ramos disse que a economia em 2022 teve um resultado muito favorável com um crescimento elevado do PIB. “Voltamos a recuperar o nível de atividade de 2014 em função de commodities supervalorizadas, efeito da reabertura da economia e efeito ainda predominante dos juros baixos do passado”, pontuou. O economista do .Sicredi também citou a questão da inflação que aumentou durante este processo de crescimento econômico e, consequentemente, ocorreu a maior alta de juros registrada no regime de metas da inflação, “o que é compatível com o que aconteceu com o resto do mundo, e que acaba desacelerando a economia de forma sensível”.
Sobre a projeção de inflação para este ano, Ramos colocou que está entre 5,8% e 6%, o que é acima da meta do Banco Central de 3%, e a inflação do ano que vem acabará ficando próxima 3,5%, que é um nível baixo, porém também acima da meta. “Imaginávamos que se chegaria na metade deste ano com juros mais baixos, porém com essas revisões de inflação, acaba se jogando para a frente essa queda”, finalizou, enfatizando ainda que a mudança na política fiscal do governo traz riscos para a Taxa Selic não cair.
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