Lei de desmatamento à EUDR: o que muda para o mercado global de suínos?
O governo do Reino Unido confirmou que irá espelhar as diretrizes do rigoroso regulamento de desmatamento da União Europeia (conhecido como EUDR) em sua futura legislação nacional contra o desmatamento (GB deforestation legislation). O anúncio, feito durante a London Climate Action Week, acende o sinal de alerta para a cadeia global de proteína animal, especialmente para o setor de suínos, que depende diretamente de commodities de risco florestal para a formulação de rações.
Na prática, a nova lei britânica exigirá que empresas com faturamento anual superior a £ 1 milhão realizem uma auditoria de due diligence (diligência prévia) para garantir que os insumos importados foram produzidos em conformidade com as leis ambientais locais. Para a suinocultura, o maior impacto está na compra de soja, principal fonte proteica da dieta dos suínos.
O impacto na suinocultura: Exigência de geolocalização para a ração
O mecanismo regulatório britânico vai impor uma rotina operacional complexa para as tradings, indústrias de alimentação animal e integradoras que abastecem o mercado de carne suína do Reino Unido. As empresas serão obrigadas a:
Rastreabilidade da Raia de Produção: Coletar e armazenar dados de geolocalização por satélite que comprovem a coordenada exata da fazenda onde a soja foi colhida, garantindo que o grão que alimenta os suínos não venha de áreas desmatadas;
Canais Auditáveis no Campo: Implementar sistemas internos de auditoria contínua de fornecedores de grãos e coprodutos;
Prestação de Contas: Emitir relatórios públicos periódicos sobre suas atividades de conformidade e mitigação de risco ambiental.
Com essa medida, frigoríficos e marcas de carne suína que exportam para o Reino Unido (ou que vendem carne de animais alimentados com soja importada) precisarão certificar toda a linha do tempo do grão, sob o risco de perderem o acesso às gôndolas britânicas.
Alinhamento estratégico para evitar barreiras e custos na cadeia de carnes
A decisão do governo de alinhar as regras da Grã-Bretanha à EUDR visa proteger a integridade do mercado interno. Devido aos acordos pós-Brexit e ao acesso exclusivo da Irlanda do Norte ao mercado único europeu, as regras da EUDR da União Europeia passarão a valer na Irlanda do Norte a partir de 30 de dezembro de 2026.
Caso a Grã-Bretanha adotasse um padrão regulatório diferente para grãos e carnes, o setor de proteína animal enfrentaria dupla burocracia, custos de conformidade duplicados e severos gargalos logísticos para movimentar produtos e animais entre os países do próprio Reino Unido.
“Combater o desmatamento global é uma das formas mais eficazes de enfrentarmos as mudanças climáticas. É por isso que estamos fiscalizando nossas próprias cadeias de suprimentos. Eliminar produtos ligados ao desmatamento ilegal — inclusive na alimentação de plantéis — protege ecossistemas e fortalece nossa resiliência de longo prazo”, afirmou a ministra da Natureza do Reino Unido, Mary Creagh.
O British Retail Consortium (Consórcio de Varejo Britânico) apoiou o alinhamento para evitar custos desnecessários aos supermercados e consumidores, mas cobrou uma postura pragmática de fiscalização na transição para que não haja desabastecimento de carnes e produtos de consumo na virada do ano. O governo britânico abrirá uma consulta pública oficial em breve para detalhar os prazos e as metodologias de aplicação da lei para o setor agropecuário.
Texto postado em Agrimídia por Suinocultura Industrial
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