Gestão ambiental acelera modernização da suinocultura e fortalece competitividade das granjas
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A gestão ambiental deixou de ser apenas uma exigência regulatória para se tornar um fator estratégico dentro da suinocultura brasileira. Com a evolução dos sistemas de produção e o aumento das exigências sanitárias e de mercado, produtores precisam investir em tecnologias capazes de melhorar o controle dos processos, reduzir riscos e tornar as granjas mais eficientes. Esse movimento foi um dos destaques apresentados pela Embrapa Suínos e Aves durante o Show Rural Coopavel 2026, realizado em Cascavel (PR).
As soluções desenvolvidas pela instituição mostram que sustentabilidade, produtividade e rentabilidade caminham juntas. Ferramentas digitais voltadas ao monitoramento da biosseguridade, ao manejo dos dejetos e ao tratamento de efluentes passam a integrar a rotina das propriedades, permitindo decisões mais precisas e maior organização das informações técnicas.
Além de atender às exigências ambientais, essas tecnologias ajudam a transformar a gestão das granjas em um processo mais eficiente. O objetivo é reduzir desperdícios, prevenir doenças, aproveitar melhor os recursos disponíveis e fortalecer a competitividade da cadeia produtiva de suínos.
Biosseguridade ganha papel estratégico nas granjas
Entre as novidades apresentadas pela Embrapa está o BiosSui, software desenvolvido para avaliar o nível de biosseguridade das granjas comerciais. A ferramenta analisa 23 critérios relacionados tanto à biosseguridade interna quanto externa, considerando aspectos estruturais e procedimentos adotados para impedir a entrada e a disseminação de agentes causadores de enfermidades.
A plataforma gera indicadores que permitem classificar as propriedades conforme o nível de segurança sanitária. Com essas informações, técnicos e produtores conseguem identificar pontos críticos, definir prioridades de investimento e adotar medidas preventivas antes que problemas sanitários comprometam a produção.
Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, a adoção dessas práticas produz reflexos diretos no desempenho da atividade. "As medidas de biosseguridade são fundamentais para a proteção dos rebanhos, redução de perdas, melhorias de produtividade e crescimento sustentável da cadeia produtiva", afirma.
Manejo dos dejetos passa a gerar oportunidades
Outro destaque da programação foi o EcoPiggy, ferramenta digital criada pela Embrapa Suínos e Aves em parceria com a ManejeBem. O aplicativo auxilia produtores e equipes de assistência técnica na gestão ambiental das propriedades, reunindo informações sobre geração, armazenamento, transporte e utilização agronômica dos dejetos suínos.
A plataforma facilita o diagnóstico das granjas e organiza dados importantes para o planejamento do uso dos resíduos como fertilizante. Dessa forma, o produtor passa a tomar decisões baseadas em informações técnicas, aumentando a eficiência da adubação e reduzindo riscos de contaminação ambiental.
Essa mudança representa uma transformação importante para o setor. Os dejetos deixam de ser encarados apenas como um passivo ambiental e passam a ser tratados como um recurso produtivo, capaz de agregar valor à atividade quando manejado de forma planejada e responsável.
Tratamento de efluentes amplia sustentabilidade
A Embrapa também apresentou o Sistrates, Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura. A tecnologia foi desenvolvida para promover a remoção conjunta de carbono, nitrogênio e fósforo presentes nas águas residuárias geradas pelas granjas, reduzindo significativamente os impactos ambientais da atividade.
O sistema combina processos biológicos e químicos que permitem transformar parte desses resíduos em produtos de interesse econômico, como fertilizantes, energia e água para diferentes finalidades, conforme as características de cada propriedade e o modelo de tratamento adotado.
Essa abordagem aproxima a produção de suínos dos princípios da economia circular, aproveitando melhor os recursos disponíveis e reduzindo perdas. Ao mesmo tempo, fortalece a imagem ambiental da atividade diante de consumidores, agroindústrias e mercados cada vez mais atentos às práticas sustentáveis.
Digitalização fortalece a gestão das propriedades
A digitalização também se consolida como uma ferramenta indispensável para o futuro da suinocultura. Sistemas como BiosSui, EcoPiggy e Sistrates mostram que registrar informações, acompanhar indicadores e monitorar processos tornou-se uma necessidade para propriedades que buscam maior eficiência produtiva.
Com dados organizados, produtores conseguem tomar decisões mais rápidas, reduzir falhas operacionais, melhorar o acompanhamento técnico e facilitar a comprovação de boas práticas exigidas por cooperativas, frigoríficos e programas de certificação.
A tendência é que a gestão ambiental ocupe um espaço cada vez maior dentro das granjas brasileiras. A combinação entre biosseguridade, manejo adequado de dejetos, tratamento eficiente dos efluentes, assistência técnica e ferramentas digitais deve contribuir para uma produção mais sustentável, competitiva e preparada para atender às exigências do mercado nos próximos anos.
Informações de Kevin Nascimento, da Feed & Food, reescrita por Michelle Jardm
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