Tecnologia reduz amônia na cama dos aviários e pode evitar perdas de até 10% no ganho de peso de frangos
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A presença de amônia nos aviários segue como um dos principais entraves à eficiência da avicultura de corte. O gás é invisível no início, mas seus efeitos aparecem no desempenho do lote, na saúde das aves e na rentabilidade final da produção.
Segundo a Embrapa Aves e Suínos, o impacto começa antes mesmo de o produtor perceber o problema pelo cheiro. Em determinados níveis de concentração, já ocorrem danos fisiológicos que afetam diretamente o ganho de peso e a imunidade das aves.
Nesse cenário, uma nova tecnologia aplicada diretamente na cama dos aviários vem sendo apresentada ao setor como alternativa para reduzir a formação de amônia na origem, antes que o gás se disperse no ambiente.
O CEO da Dux Group, Marcelo Spaziani, resume o problema como estrutural dentro da produção. “A amônia é um inimigo invisível. O gás está lá, mas o produtor muitas vezes só percebe o estrago no resultado do lote”, afirma.
Ele explica que a proposta da tecnologia é atuar exatamente no ponto de formação do gás. “Quando você reduz a volatilização na cama, você melhora o ambiente respirado pelas aves e isso impacta diretamente o desempenho produtivo”, diz.
O COO da empresa, Márcio Del Col, destaca que o foco foi adaptar a solução à rotina da granja. “A tecnologia foi desenvolvida para a realidade do aviário, com aplicação simples e sem necessidade de mudanças no sistema de produção”, afirma.
Embrapa reforça que amônia começa a afetar aves antes mesmo do odor perceptível
O pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, Paulo Giovanni de Abreu, explica que a amônia é resultado direto de processos biológicos dentro do aviário.
“A amônia (NH₃) é formada pela decomposição bacteriana do ácido úrico presente nas excretas das aves, e esse processo é acelerado pela umidade e pela temperatura da cama”, afirma.
Segundo ele, o controle dessas condições é decisivo para evitar a rápida elevação do gás no ambiente. “Altas temperaturas e excesso de umidade criam o cenário ideal para aumento da concentração de amônia”, explica.
Abreu reforça que a percepção humana não é suficiente para diagnóstico. “Os danos começam antes mesmo do cheiro ser percebido. Por isso, o monitoramento técnico com sensores é essencial”, destaca.
Concentração de amônia define impacto direto no desempenho das aves
Os efeitos da amônia variam conforme a concentração no ambiente, medida em partes por milhão (ppm), e o tempo de exposição das aves.
Até 10 ppm, o ambiente é considerado ideal para desempenho e bem-estar animal. Entre 11 e 20 ppm, ainda há tolerância, mas com necessidade de atenção constante.
“A partir de 20 ppm, o ambiente passa a ser prejudicial, com impacto direto na saúde das aves e na rentabilidade do lote”, afirma o pesquisador da Embrapa.
Em níveis superiores a 25 ppm, já se observa redução no ganho de peso e piora na conversão alimentar. Acima de 50 ppm, os efeitos passam a ser considerados críticos.
Estudos apontam perdas de até 10% no ganho de peso em ambientes críticos
Pesquisas da Embrapa mostram que o impacto da amônia é progressivo e acumulativo ao longo do ciclo produtivo.
“A partir de 25 ppm já há redução perceptível no ganho de peso diário e perda de uniformidade dos lotes”, explica Paulo Giovanni de Abreu.
Em concentrações próximas de 50 ppm, os estudos indicam redução média de cerca de 6% no ganho de peso acumulado. “Já em 75 ppm, as perdas podem chegar entre 9% e 10% em comparação com aves criadas em ambiente adequado”, disse.
Segundo o pesquisador, o principal mecanismo é o estresse fisiológico contínuo. “A ave desvia energia para combater inflamações e deixa de direcionar nutrientes para o crescimento”, detalha.
Sistema respiratório é um dos primeiros a ser comprometido
A amônia afeta diretamente o sistema respiratório das aves, comprometendo suas defesas naturais. “Há destruição dos cílios da traqueia quando o gás entra em contato com a umidade das mucosas, o que aumenta a vulnerabilidade a infecções”, explica Abreu.
Esse processo favorece doenças respiratórias e infecções secundárias, elevando riscos sanitários dentro do lote.
Além disso, pode ocorrer ceratoconjuntivite, que reduz o consumo de água e ração e impacta diretamente o desempenho produtivo.
Pintinhos são mais sensíveis e podem ter impacto permanente no desempenho
As primeiras semanas de vida são o período mais crítico em relação à exposição à amônia.
Segundo a Embrapa, níveis próximos de 20 ppm já podem comprometer o desempenho futuro das aves, mesmo que o ambiente seja corrigido posteriormente.
Quando há melhora das condições, ocorre o crescimento compensatório, com recuperação parcial do ganho de peso. “Em muitos casos, as aves recuperam entre 4% e 7% do peso perdido, mas ainda não atingem o desempenho de lotes criados em ambiente ideal”, afirma o pesquisador.
Qualidade da cama influencia diretamente o valor da carcaça
Além do desempenho, o controle da amônia impacta a qualidade final das carcaças destinadas ao mercado. Lesões como a pododermatite estão associadas à combinação entre umidade da cama e presença do gás, afetando o padrão do produto.
Esse fator é especialmente sensível em mercados internacionais que exigem alto padrão de bem-estar animal e qualidade de carcaça.
Controle da amônia se torna fator estratégico na rentabilidade da produção
Especialistas reforçam que o controle da amônia depende da integração entre manejo tradicional e novas tecnologias aplicadas ao ambiente.
Ventilação adequada, controle de umidade e densidade continuam sendo pilares fundamentais da produção avícola.
As novas soluções surgem como ferramenta complementar para atuar na redução da formação do gás na origem. Pequenas variações na qualidade do ambiente podem representar diferenças relevantes no ganho de peso e na rentabilidade do lote.
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