Queda no preço do suíno surpreende setor e compromete primeiro semestre de 2026, avalia presidente da APCS
O mercado de suínos no Brasil atravessa um início de 2026 marcado por forte frustração nas expectativas e pressão sobre os preços, segundo avaliação do presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira Júnior. Após projeções otimistas no fim de 2025, o setor foi surpreendido por um cenário adverso nos primeiros quatro meses do ano.
De acordo com o dirigente, a cotação do suíno vivo registrou queda expressiva, passando de cerca de R$ 168,00 para R$ 100,00, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores. “O mercado nos surpreendeu muito negativamente. Hoje, trabalhamos com preços abaixo do custo de produção”, afirmou.
Entre os principais fatores que explicam o recuo, está o crescimento acelerado da produção, especialmente no aumento do plantel. Segundo Ferreira Júnior, o setor não conseguiu antecipar a dimensão dessa expansão, o que resultou em uma oferta acima do esperado. “Tivemos um crescimento rápido no povoamento de animais, o que gerou uma superoferta que não imaginávamos”, explicou.
Além disso, o consumo interno também apresentou sinais de enfraquecimento. A perda de poder de compra do consumidor brasileiro contribuiu para a redução da demanda por carne suína, agravando o desequilíbrio entre oferta e procura. “O consumidor acabou se afastando um pouco, o que também pressionou o mercado”, pontuou.
A expectativa de recuperação no início de maio não se concretizou, elevando a preocupação quanto ao desempenho do setor no curto prazo. “Há uma incerteza se conseguiremos reverter essa situação nas próximas semanas. Infelizmente, o primeiro semestre já está comprometido”, avaliou.
Apesar do cenário desafiador, a queda nos custos com alimentação animal tem amenizado parcialmente as perdas. O milho, por exemplo, apresenta preços significativamente menores em comparação a períodos anteriores, especialmente na região de Campinas. Já o farelo de soja também registra recuo, embora em ritmo mais moderado, influenciado pelo mercado internacional, especialmente pelas dinâmicas entre Estados Unidos e China.
Diante desse contexto, a orientação para os produtores é focar na gestão interna das granjas e na redução de custos operacionais. “Agora é trabalhar dentro da porteira, buscar eficiência e atravessar esse momento da forma mais rápida possível”, destacou.
O presidente da APCS também fez uma reflexão sobre a necessidade de maior transparência e planejamento no crescimento do setor. Segundo ele, a falta de diagnóstico prévio sobre a expansão produtiva dificultou reações mais rápidas do mercado. “Não é assim que um setor cresce. Se tivéssemos identificado esse movimento antes, poderíamos ter ajustado a produção de forma mais eficiente”, afirmou.
Por outro lado, as exportações seguem como um ponto positivo, contribuindo para aliviar parcialmente a pressão sobre o mercado interno. Ainda assim, o cenário exige cautela e ajustes estratégicos para os próximos meses.
A suinocultura brasileira entra, portanto, em um período de atenção redobrada, buscando equilibrar produção, custos e demanda diante de um mercado mais volátil do que o esperado para 2026.
0 comentário
Produção de ovos perde ritmo no início de 2026 e preços sobem no país
Preços do frango avançam mesmo com consumo mais lento na segunda quinzena
Empresa ucraniana assume controle da maior produtora de aves da Grécia
Pluma lança incubatório com sexagem de aves por IA
ABCS apresenta agenda para eleições e reforça articulação da suinocultura no cenário político
Protocolo identifica risco de contaminação entre viveiros de peixes de uma mesma bacia hidrográfica