Sanidade e comércio: acordo Reino Unido-UE acende alerta para biossegurança na suinocultura na europa
A National Pig Association (NPA) manifestou preocupação com os impactos do novo acordo sanitário e fitossanitário (SPS) entre o Reino Unido e a União Europeia sobre a biossegurança e o controle de fronteiras. A entidade defende que o governo utilize o novo marco regulatório para intensificar o combate à entrada ilegal de produtos de origem animal.
Segundo a associação, o fluxo contínuo de cargas irregulares representa risco direto à sanidade da suinocultura britânica, especialmente diante de enfermidades de alto impacto, como peste suína africana e febre aftosa.
Risco sanitário pode gerar perdas bilionárias e travar exportações
Dados do National Audit Office indicam que o surto de febre aftosa em 2001 gerou prejuízos estimados em £14,7 bilhões, considerando valores atualizados. No cenário atual, a ocorrência de enfermidades como PSA ou febre aftosa poderia resultar na suspensão imediata das exportações de carne suína, com perdas anuais próximas de £600 milhões.
A NPA avalia que o acordo SPS, embora tenha potencial para facilitar o comércio, pode fragilizar os controles sanitários caso não seja acompanhado de medidas robustas de fiscalização.
Acordo pode ampliar fluxo comercial, mas exige equilíbrio regulatório
Por outro lado, a entidade reconhece que o novo arranjo com a União Europeia tende a reduzir barreiras e custos logísticos, favorecendo o comércio de produtos da suinocultura. Entre os possíveis avanços estão a retomada das exportações de animais vivos para reprodução e a liberação de itens atualmente restritos, como carne moída e embutidos.
Além disso, a simplificação de processos pode beneficiar exportadores e importadores ao reduzir entraves burocráticos associados ao modelo operacional de fronteiras britânico.
Falta de informação preocupa produtores
Outro ponto destacado pela NPA é o baixo nível de conhecimento dos produtores rurais sobre o alcance do acordo e seus impactos práticos. Segundo a entidade, muitos agentes da cadeia produtiva ainda não compreendem que as mudanças vão além das empresas diretamente envolvidas no comércio exterior.
Diante desse cenário, a associação defende maior engajamento do governo com o setor produtivo, com ações de comunicação e orientação técnica. Para a suinocultura, o desafio será equilibrar a ampliação do comércio internacional com a manutenção de padrões rigorosos de sanidade e biosseguridade, fundamentais para a competitividade e sustentabilidade do setor.
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