Do chiqueiro para o fogão: biogás de suínos muda vida de criadores em PE
Um projeto piloto está fazendo 20 pequenos produtores de suínos produzirem biogás nas suas propriedades, usando como matéria-prima as fezes dos porcos, além de melhorar o manejo na criação dos animais no Agreste Meridional de Pernambuco. Com investimento de R$ 327 mil, a inciativa foi bancada pelo Sebrae-PE e Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).
Os recursos foram gastos no desenvolvimento, construção e implantação dos biodigestores, além de capacitações para os produtores. Os resíduos da produção do biogás são utilizados pelos produtores como biofertilizantes, principalmente para adubar a palma e milho, que podem ser oferecidos como ração aos animais. Isso significa que eles passaram a economizar com custos, como a energia e o adubo. Em média, cada biodigestor pode produzir, em média, de dois a quatro botijões de gás por mês, dependendo da quantidade de animais, segundo informações do Sebrae-PE.
“O projeto também trouxe outra vantagem que foi os criadores começaram a tecnificar mais a sua produção, percebendo animais que estavam com alguns problemas de saúde, melhorando a nutrição deles, entre outras iniciativas que resultam numa maior produtividade”, resume o especialista em Agronegócios do Sebrae-PE, Lucas Araújo.
Ele argumenta que a implantação do biodigestor também evita a contaminação do solo e da água e entre as metas do projeto estão a redução de até 15% nos custos de produção e a diminuição de 12% no tempo dos animais disponíveis para abate com a melhoria das condições sanitárias e produtivas. Para os produtores, a diminuição do tempo do abate também significa diminuição das despesas.
Ainda de acordo com Lucas, hoje os produtores que participam do projeto cozinham 100% com o gás do biodigestor e não usam mais a lenha. “A perspectiva futura é transformar o gás em energia elétrica”, comenta.
Os 20 produtores atendidos pelo projeto “Fortalecimento da suinocultura sustentável: inovação e valor na produção do Agreste Meridional” estão nos municípios de São Bento do Una, Lajedo, Canhotinho e Tupanatinga.
A família de Rafaela e a produção do biogás
De uma família de produtores rurais, a técnica em zootecnia Rafaela Brito diz que o biodigestor trouxe alguns benefícios no sítio onde mora, como o biogás usado pra cozinhar. “Não estamos usando o gás convencional e não utilizamos mais o fogo a carvão pra economizar. Creio que até hoje o único ponto negativo – embora não seja tão negativo – é que criamos matrizes para produção e vendemos os leitões com 60 dias de vida. Isso vai diminuir os dejetos e consequentemente o biogás vai reduzir também”, comenta Rafaela.
Quando há a diminuição dos animais, Rafaela argumenta que a família passa usar a macaxeira ou mandioca triturada para fazer o biogás. “A energia da mandioca e macaxeira ajuda bastante a subir novamente a produção do gás”, comenta, acrescentando que os resíduos na produção do biogás estão sendo usados como biofertilizante na propriedade, principalmente na adubação da palma e do milho. Ambos são oferecidos como ração para os animais.
Ela e a família têm planos de colocar suínos para engorda na propriedade da família que tem sete matrizes, dois reprodutores e 10 leilões desmamados.
Localizado em Lajedo, o sítio da família de Rafaela tem 10 hectares, chama-se Alto do Cantinho e a propriedade é dividida pelos pais, tia, irmão e a avó da técnica, que está fazendo o curso de Agronomia. Ela vai ser a primeira a ter um curso de graduação no núcleo familiar mais próximo. Além do milho e mandioca, eles cultivam outras frutas, como o maracujá, para o consumo próprio.
Dona de uma propriedade de um hectare e meio na área rural de São Bento do Una, a criadora Ivanice Gonçalves de Souza, diz que depois que o biodigestor começou a funcionar economizou com a compra de gás e carvão, ambos usados na cozinha. “Também não precisamos usar a lenha pra cozinhar. Quem mora em sítio, nem toda hora tem dinheiro pra comprar um botijão de gás. Trabalho por diária e quando não tinha trabalho tinha que usar a lenha”, comenta.
Ela gastava R$ 100 a cada dois meses com um botijão de gás, além de comprar carvão. No Sítio Empoara moram ela, o marido e duas filhas. Depois do projeto do biodigestor, ela fechou uma operação de microcrédito e comprou quatro porcos. Além dos dejetos dos suínos, o biodigestor do sítio dela recebe os dejetos de “duas vaquinhas” que ela tem na propriedade. “Agora, vamos criar porco para o corte. Quando vender, vamos comprar outros pra continuar produzindo o gás”, afirma.
Pernambuco registrou um rebanho de 160.532 suínos em 2024, sendo o município de São Bento do Una o principal produtor, de acordo com informações do IBGE. A suinocultura no Agreste Meridional ainda é complementar à bovinocultura de leite e enfrenta desafios como a necessidade de aprimoramento técnico, melhor gestão de resíduos e busca por novos mercados consumidores.
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