Importações de ovos pressionam mercado e acendem alerta no Reino Unido
O aumento das importações de ovos produzidos sob padrões considerados inferiores de segurança alimentar e bem-estar animal tem gerado preocupação no Reino Unido. Segundo o relatório “Shell Shocked”, divulgado pelo British Egg Industry Council, o volume de ovos importados cresceu 60% desde 2021, passando de cerca de 1 bilhão para 1,6 bilhão de unidades por ano.
A Ucrânia desponta como um dos principais fornecedores nesse cenário, com crescimento de 65,6% nas exportações ao mercado britânico apenas em 2025. Parte significativa desses ovos é produzida em sistemas de gaiolas convencionais, modelo proibido no Reino Unido desde 2012 por questões de bem-estar animal.
Concorrência internacional pressiona produtores locais
O avanço das importações tem impactado diretamente a competitividade dos produtores britânicos, que operam sob padrões rigorosos estabelecidos pelo código British Lion. O programa, que abrange mais de 90% da produção nacional, inclui exigências como vacinação obrigatória contra Salmonella e critérios mais elevados de manejo e bem-estar das aves.
Lideranças do setor avaliam que a entrada de produtos com custos menores e exigências menos rígidas pode comprometer a sustentabilidade da produção local, além de afetar a confiança do consumidor.
Casos de contaminação reforçam preocupações sanitárias
O relatório também destaca um aumento nos episódios de segurança alimentar relacionados a ovos importados na Europa. No Reino Unido, 123 casos de doenças foram associados, no final de 2025, a um único distribuidor de ovos importados. Outros episódios incluem a identificação de resíduos de antibióticos proibidos em ovos ucranianos comercializados na União Europeia e investigações sobre surtos de Salmonella vinculados a importações em diferentes países.
Além disso, mais de 200 casos registrados em 2024 no Reino Unido foram relacionados ao consumo de ovos provenientes da Polônia, ampliando o alerta sobre os riscos sanitários envolvidos.
Fiscalização e controles de fronteira são questionados
Especialistas apontam fragilidades nos mecanismos de controle sanitário nas fronteiras. Avaliações indicam que a maioria das cargas não passa por inspeção física, e os testes laboratoriais são realizados de forma pontual, geralmente apenas quando há suspeita de risco.
A falta de transparência sobre a frequência de amostragem e a ausência de inspeções sistemáticas aumentam a possibilidade de que contaminações sejam identificadas apenas após o surgimento de casos de doenças ou alertas internacionais.
Outro ponto destacado é que ovos produzidos sob o padrão British Lion são considerados seguros para consumo por grupos vulneráveis, mesmo com a gema mole — condição que não se estende aos produtos importados.
Setor pede revisão de políticas e maior rigor regulatório
Diante do cenário, o BEIC defende a revisão das políticas de importação e o alinhamento das exigências sanitárias para produtos estrangeiros aos mesmos padrões aplicados à produção doméstica. O relatório também recomenda o fortalecimento dos sistemas de rastreabilidade e a ampliação das inspeções nas fronteiras.
O debate ocorre em um momento de crescente preocupação com a qualidade dos alimentos importados e seus impactos sobre a produção local. Representantes do setor reforçam a necessidade de medidas rápidas para preservar a segurança alimentar, a confiança do consumidor e a competitividade da avicultura britânica.
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