Dados da FAO indicam que questão do custo não é exclusividade da produção animal brasileira
Em fevereiro passado o Índice de Preços dos Alimentos da FAO (FFPI, na sigla em inglês) manteve a trajetória de alta iniciada em agosto do ano passado. Atingiu, assim, a marca dos 116 pontos, índice que correspondeu a um aumento de quase 2,5% sobre o mês anterior, liderado sobretudo pelo açúcar (+6,39%) e pelos óleos vegetais (+6,17%), mas acompanhado, embora em menor escala, pelos demais alimentos cujos preços são acompanhados pelo órgão da ONU: lácteos (+1,72%), cereais (+1,24%) e, em último lugar, pelas carnes (+0,58%).
Mas o que mais chama a atenção nos dados da FAO e está ressaltado no gráfico abaixo é a grande diferença em relação a fevereiro de 2020 no tocante aos cereais, às carnes e ao próprio índice de preços do órgão.
Em outras palavras, um ano atrás os três apresentavam praticamente a mesma equivalência de preços observada no triênio 2014/2016 - em torno dos 100 pontos. Um ano depois, o FFPI atinge a marca dos 116 pontos, porém é superado pelos cereais (ou seja: aí inclusas as matérias-primas da produção animal) que batem nos 125,7 pontos, enquanto as carnes retrocedem aos 96,4 pontos. Ou, em resumo, frente a um aumento de 26,5% dos cereais, o preço das carnes retrocedeu mais de 4%. Quer dizer: a questão dos custos não é só do Brasil.
De toda forma, entende-se que o maior peso recaia sobre o produtor brasileiro, pois, como grande exportador de carnes e cereais, o País é um dos principais formadores de preços do mercado internacional.
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