Milho: em 2021, poder de compra do frango vivo retrocede ao pior nível dos últimos 10 anos
A recuperação de preços obtida pelo frango vivo no primeiro bimestre de 2021 em pouco ou nada minimizou a pressão vinda dos custos do setor, pois o preço do milho, principal matéria-prima do produto, permanece com os maiores valores de todos os tempos. Como resultado, o poder de compra do frango vivo para o grão se encontra no mais baixo patamar dos últimos 10 anos. Ou, na verdade, de todos os tempos.
Comparativamente ao mesmo período de 2020, no corrente bimestre o frango vivo alcança valor médio 36% superior, enquanto o milho registra variação de 61%. Ou seja: a mesma tonelada de frango vivo que, um ano atrás, adquiria cerca de 60 sacas de milho, agora permite comprar não mais que 50 sacas, 16% menos.
À primeira vista a perda é pequena. Mas apenas porque em 2020 a comercialização do milho já havia entrado em hiper dolarização (um processo que envolveu não apenas a valorização interna do dólar, mas também o aumento da demanda internacional puxado pela China). Tanto que, no ano, os preços do grão aumentaram 46% em relação a 2019. Assim, se tomado como base o poder de compra daquele ano – 78,2 sacas de milho por tonelada de frango vivo – a perda de poder aquisitivo da ave viva é superior a 35%.
Para que ninguém conclua que o poder de compra de 2019 apresentou resultados excepcionais, é importante destacar que nos oito anos transcorridos entre 2012 e 2019 (ou seja, considerando também o menor poder de compra de 2012, 2016 e 2018 e excluindo apenas o biênio 2020/2021, quando ocorreu a hiper dolarização) uma tonelada de frango vivo foi suficiente para adquirir, em média, 77,7 sacas de milho, ou seja, pouco mais de meio por cento a menos que o registrado em 2019 – um resultado, portanto, normal.
E como é hábito repassar aos elos seguintes da cadeia os aumentos ocorridos na base de produção (caso, por exemplo, dos combustíveis), cabe perguntar: a que preço estaria sendo comercializado o frango vivo se o produtor conseguisse a proeza de manter o mesmo poder de compra observado entre 2012 e 2019? A resposta: algo em torno dos R$6,70/kg – pelo menos 50% a mais que a média alcançada no primeiro bimestre de 2021.
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