Descapitalização do brasileiro pode aumentar demanda por ovos, mas custos de produção seguem desafiadores, aponta Itaú BBA

Conforme análise do banco Itaú BBA, divulgada nesta quarta-feira (28) para o mercado brasileiro de ovos, o ambiente de possível ausência do auxílio emergencial e elevado desemprego, pode favorecer o ovo por sua característica “antifrágil”, isto é, que se beneficia com a piora das condições econômicas, podendo deslocar consumo de carnes pela população para o ovo.
Entretanto, o momento do setor requer atenção, pois embora o preço médio do ovo no atacado paulista em janeiro deste ano, de R$ 110,80/caixa com 30 dúzias, tenha sido 21,5% superior em relação ao de jan/19, a relação de troca entre o preço do ovo ao produtor e a ração para postura é a pior da série histórica iniciada em 2006, explicam os analistas.
"O preço recebido pelo produtor foi o maior em termos reais em dez/20, da ordem de R$ 100,47/caixa 30 dúzias, e mesmo assim a relação de troca foi das piores já vistas" relata o documento.
Segundo o banco, o alto custo das rações tem afetado não só a cadeia produtiva do ovo, mas também das demais proteínas animais, como aves de corte, suínos, bovinos confinados, psicultura, alguns sistemas de pecuária leiteira etc. A atenção se volta para um horizonte de "pouca luz", com os preços dos grãos se fortalecendo ainda mais nos últimos meses, com forte demanda mundial, sobretudo a chinesa, se somando a recentes problemas climáticos que têm afetado as safras mundo afora.
"Especificamente no Brasil, nem mesmo a possível safra recorde de soja tem aliviado a alta contínua do farelo, que já superou os R$ 3.000,00 por tonelada no Paraná, com elevados prêmios na exportação do grão e a desvalorização cambial mantendo os preços elevados em Reais. Já no quadro interno, a oferta de milho foi prejudicada pela seca no RS, importante estado produtor de 1ª safra, o que aumenta a necessidade de termos uma boa safrinha para que haja espaço para alguma acomodação mais significativa de preços", pontua o relatório.
Neste sentido, qualquer acomodação do preço dos ovos agravará o quadro, mas há razões para a sustentação, pelo menos nos próximos meses. Primeiramente, do ponto de visa sazonal, geralmente o preço do ovo faz seu pico em abril, apoiado no maior consumo associado à quaresma.
Também tem sido noticiada uma readequação dos estoques de galinhas, com substituição de matrizes mais velhas por aves jovens, com o objetivo de reduzir a demanda por ração e ajustar a produção o que pode ajudar a sustentar preços.
De qualquer forma, o ano que se inicia promete ser dos mais desafiadores do ponto de vista dos custos de ração, até mesmo neste pujante setor acostumado com sólidas taxas de crescimento, mesmo em meio às adversidades.
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