Carne de frango: exportações nas duas primeiras décadas do século XXI e os novos desafios
As exportações brasileiras de carne de frango encerraram as duas primeiras décadas do corrente século registrando (dados preliminares para 2020) aumento de volume superior a 300% em relação ao último ano do século XX (pouco mais de 916 mil toneladas em 2000).
Sem dúvida expressivo, esse resultado se torna ainda mais significativo frente à constatação de que, nesse mesmo espaço de tempo, o aumento nas exportações mundiais de carne de frango não chegou a 100% (nas projeções da FAO, cerca de 7,3 milhões de toneladas em 2000 e previsão de 14,1 milhões de toneladas em 2020). Ou seja: se ao final do século XX o Brasil detinha 12,5% das exportações mundiais, duas décadas elevou sua participação para quase 30%.
Porém, todo esse movimento se desenvolveu em duas décadas distintas e bastante diferenciadas entre si. Assim, enquanto de 2001 até 2010 registrou-se incremento de volume de pouco mais de 200%, entre 2011 e 2020 esse incremento não chegou a 5%. Ou, frente a uma evolução média de cerca de 13% ao ano na primeira década deste século, na década seguinte a expansão média não passou de meio por cento ao ano.
Iniciada a terceira década do século XXI e com o mundo ainda envolto em uma pandemia, o desafio para vencer a quase estagnação dos últimos 10 anos se torna muito maior. Aliás, mostra tendência de se complicar, na medida em que o principal mercado externo da carne de frango brasileira, a China, em nome dos riscos da Covid-19, mostra intenção de concentrar seu consumo final na produção interna.
Ao enfrentarem tais circunstâncias e não encontrando substitutos externos, tem sido hábito dos exportadores recorrer à solução mais natural, o mercado interno. Mas – esta é a questão-chave – frente aos altos custos de produção e a um consumidor abandonado – haverá mercado em condições de absorver o que, eventualmente, não for exportado?
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