Frango, ovo, milho e inflação em novembro de 2020 e na vigência do real
Do ponto de vista exclusivo da inflação mensal, não há de que reclamar. A inflação de novembro (2,64%, índice aqui medido pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas) foi elevada, mas frango, ovo e milho conseguiram superá-la com alguma folga.
Os problemas ocorrem ao analisar-se a variação no ano, em 12 meses ou, mesmo, no período de vigência do real (pouco mais de 26 anos, desde julho de 1994). Mas nem tanto em relação à inflação e, sim (ou quase exclusivamente) em relação ao milho, principal insumo do frango e do ovo.
Em outras palavras, tanto neste ano (incremento em relação ao preço de dezembro de 2019), quanto em 12 meses ou, ainda, no período de vigência do real, os preços do milho superaram todas as lógicas. Isto, além de deixar para trás a própria inflação.
Assim, nos últimos 12 meses, frente a uma inflação de pouco mais de 24%, enquanto os preços do frango e do ovo evoluíram 41,40% e 35,91%, respectivamente, os do milho tiveram aumento de, praticamente 77%.
Já no decorrer da vigência do atual padrão monetário brasileiro, os dois produtos da avicultura perdem feio para a inflação, mas principalmente para o milho. Pois, frente a um valor 660% e 392% maior do frango e do ovo, a inflação aumentou 817% e o milho 972%.
Como são, sobretudo, simples resultado da conversão alimentar do milho, frango vivo e ovo deveriam manter a mesma paridade de preço de sua principal matéria-prima. Mas, para isso, teriam que valer, em novembro passado, R$6,43/kg e R$206,61/caixa, respectivamente. Ficaram a 71% e a 46% desses valores, também respectivamente.
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