Frango, ovo, milho e inflação: em outubro e na vigência do real
Em outubro, pela segunda vez neste ano e pela terceira vez na moderna história do agronegócio brasileiro, o milho ultrapassa a inflação acumulada na vigência do atual padrão monetário brasileiro, o real.
Em outras palavras, frente a uma inflação acumulada (aqui calculada pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas) de pouco menos de 800%, o preço alcançado pelo milho em outubro acumulou variação de 877,56%, situação que, neste ano, já havia sido observada em março, mas que anteriormente, só foi registrada em 2016 - devido a uma quebra de safra, ao contrário do que ocorre agora, quando a safra do ano está sendo recorde.
O curioso é que um ano atrás, em outubro de 2019, o milho registrava em relação ao frango praticamente a mesma paridade de preço registrada por ocasião de implantação do real, ou seja, como em 1994, uma tonelada de frango vivo adquiria em torno de 77 sacas de milho. Agora, em outubro de 2020, o poder de compra do frango recuou mais de 25%, pois adquiriu não mais que 57 sacas do grão.
Bem mais asfixiante, no entanto, é a situação do ovo. Em meados de 1994, quando o real tornou-se o padrão monetário brasileiro, uma caixa de ovos alcançava valor que permitia adquirir pouco mais de 2,5 sacas de milho (151 kg). Em outubro, o poder de compra do ovo não ficou muito acima de 1 (uma!) saca de milho. Mais exatamente, 65,585 kg.
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