Preços do milho e do farelo de soja decretam o fim da competitividade do frango e do ovo
A decantada (do ponto de vista social, abençoada) competividade do frango e do ovo frente às demais proteínas de origem animal está em risco. Não por culpa da avicultura, empurrada para o beco da inviabilidade pelo alto custo de suas duas matérias-primas básicas, o milho e o farelo de soja.
De toda forma, sempre surgirá alguém argumentando que em 2019 o setor teve um bom retorno e que entrou em 2020 capitalizado. Verdade, sim. Mas verdade parcial. Porque os ganhos do ano passado representaram apenas recuperação de parte dos prejuízos acumulados no triênio 2016-2018, de triste memória para a avicultura.
Além disso, porém, os ganhos obtidos foram reinvestidos na atividade, ampliando a capacidade de produção para 2020. O que não se contava é que no meio do caminho surgisse uma pandemia. Mas, menos ainda, ninguém contava que, com uma supersafra de milho e soja, os preços das duas matérias-primas atingissem valore astronômicos frente a uma economia implodida pela pandemia.
Como comentou ontem o Presidente da ABPA, o setor agora avalia reduzir a produção para atenuar o impacto da disparada de preços do milho e do farelo de soja.
Mas, qualquer que seja o caminho adotado – manter ou reduzir a produção – o mal maior já está feito, pois, subutilizando ou não o potencial de produção instalado, o setor já perdeu a capacidade de reinvestir na atividade. A produção futura pode, novamente, ser afetada.
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