Abril tem retração de 28% no preço do suíno vivo em SP

De acordo com informações do Itaú/BBA, desde o início da segunda quinzena de abril houve uma queda forte nos preços domésticos de aves e suínos, enquanto que o mercado de bovinos tem se mantido firme. Segundo informativo da instituição, entre o início do mês até terça-feira (28), o suíno vivo em São Paulo teve queda de preço na ordem de 28% enquanto que a meia carcaça suína retrocedeu 23%. O frango abatido no Estado teve retração de 15% e, as carcaças bovinas, tanto de dianteiro quanto a de traseiro caíram, no mesmo período, pouco mais de 3%.
A justificativa para esta movimentação, segundo o Itaú/BBA, é a fraca demanda doméstica pelas proteínas em comparação com o ritmo de produção, que, no caso de aves e suínos, seguiu normal até o momento. A diferença marcante destes mercados para o de bovinos, que pouco sentiu, foi a moderação da oferta já que o momento é de forte redução nas vendas do food service, conforme explica a análise.
Como as aves e suínos alojados não podem esperar nas granjas quando terminados e sem obstruções logísticas no país, o fluxo de produção seguiu forte. A queda de preços do suíno ocorreu mesmo com os números de exportação de abril (até a quarta semana) vindo bastante positivos, sinalizando crescimento de 14,4% em relação a abril do ano passado, pela média diária. Já as vendas externas de aves apontam pequena queda (2,5%) no mesmo comparativo. Para o Itaú/BBA, o fresultado não é anormal, e a análise destaca que os embarques de carne de frango no primeiro trimestre de 2020 evoluíram 8,8% sobre o mesmo período do ano passado. A logística de exportação brasileira segue normal.
Mesmo com as exportações com bons resulatdos e exercendo importante papel de absorção da produção, o nível em que os preços médios de aves e suínos atingiram em abril, no comparativo aos custos de produção, levaram as margens para o campo negativo, mesmo com a acomodação do preço do milho, que foi menos que proporcional às quedas da ave e do suíno.
Conforme análise do Itaú/BBA, algumas processadoras de aves já sinalizaram que adotarão maior intervalo entre novos alojamentos e mesmo uma redução mais ampla nos alojamentos não é descartada, o que poderia ajudar a fortalecer os preços.
Além disso, é incerto se os frigoríficos do país seguirão administrando bem os casos de covid-19 em colaboradores sem efeito na oferta agregada de carnes, como o que vem ocorrendo nos Estados Unidos. No país, atualmente, cerca de 25% dos frigoríficos de suínos estão paralisados gerando enormes consequências.
A expectativa do banco pe que a maior abrangência geográfica das fábricas no Brasil e a menor capacidade individual minimiza o risco de problemas maiores. No médio prazo, a provável acomodação do milho após a entrada da safrinha deve ajudar a reverter as margens negativas e o destaque do Brasil em termos de sanidade e custo das proteínas tende a manter o vigor das exportações, além da peculiar situação chinesa.
Mas, o curto prazo traz preocupações, principalmente para as empresas focadas no mercado doméstico, já que, sobretudo em suínos, não há como moderar a oferta e o mercado interno – destino de 80% da produção – está muito fraco. Esse problema seria menor se tivéssemos mais plantas habilitadas para a China, que poderia absorver qualquer excedente interno de carne suína.
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