Carne salgada exportada sofreu forte desvalorização em 2019
Embora estabelecido em maio de 2018, o embargo europeu a frigoríficos brasileiros – que envolveu, sobretudo, a carne de frango salgada – só se refletiu negativamente no preço desse produto – e pesadamente – em 2019: no curto espaço de 12 meses a carne salgada desvalorizou-se cerca de 30%, passando a valer quase a metade do máximo já registrado – US$3.484,33/tonelada, resultado alcançado em agosto de 2011. Na prática, o preço registrado em dezembro de 2019 – US$1.853,88/tonelada, conforme a SECEX/ME – correspondeu ao menor valor dos últimos 10 anos.
O que não escapa, no entanto, é que o embargo foi declarado no exato instante em que a carne de frango salgada registrava forte valorização. Para comprovar, observe-se o gráfico abaixo, no qual estão colocados, lado a lado, os preços da carne de frango salgada (em vermelho) e dos industrializados de frango. Tais preços referem-se ao triênio 2017/2019.
A carne de frango salgada iniciou 2017 com um valor equivalente a 85% do preço dos industrializados. Mas no final do exercício essa participação chegava a 96%.
Na média do ano, o preço da carne salgada correspondeu a 87% do preço dos industrializados, índice que no ano seguinte, 2018, subiu para 95%. Mas ainda no primeiro semestre, houve momentos (bimestre janeiro/fevereiro e bimestre maio/junho) em que a carne salgada alcançou valor maior que o dos industrializados. Foi aí que ocorreu o embargo.
De uma forma ou de outra, seus preços ainda se mantiveram em boa parte do segundo semestre. Mas a partir de dezembro de 2018 entraram em verdadeiro parafuso.
É verdade que, comparativamente a novembro de 2018 – quando foi registrado o último pico de preços dos dois produtos – o retrocesso registrado em dezembro de 2019 alcançou também os industrializados. Mas enquanto estes perderam 10% do seu valor, a perda da carne salgada atingiu 32%.
Na média do ano que passou, a carne salgada desvalorizou-se quase 15%, enquanto os industrializados, na direção oposta, valorizaram-se pouco mais de 6%. Ressalve-se, porém, que a perda de preço da carne salgada foi compensada com um aumento substancial - +33,78% - no volume exportado. Em decorrência, sua receita cambial foi 4% maior que a de 2018.
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