IAC comemora 139 anos com feijão gourmet tolerante ao escurecimento do grão
Há 139 anos, ciência, inovação e história caminham juntas em Campinas. O Instituto Agronômico (IAC) celebra hoje, 30, às 15h, não apenas o legado histórico, mas também resultados inéditos dos últimos 12 meses, como o feijão cranberry IAC 2662 Borlotti — cultivar única no mercado pela característica de tolerância ao escurecimento do grão por pelo menos seis meses. Fundado por D. Pedro II em 1887, o Instituto Agronômico (IAC) chega a 2026 como protagonista de uma revolução agrícola com mais de mil cultivares e pacotes tecnológicos que transformam lavouras em todo o Brasil. A cerimônia, na sede do IAC, em Campinas, também marcará a entrega do Prêmio IAC e da Medalha Mérito Científico D. Pedro II a profissionais internos e externos que se destacam na agricultura.
O IAC desenvolveu — até junho de 2026 — 1.205 cultivares de 112 diferentes espécies vegetais, muitas delas presentes em campos agrícolas em quase todas as regiões brasileiras. O Instituto atua também na geração de pacotes tecnológicos que contribuem para elevar a produtividade e a sustentabilidade das lavouras e a qualidade dos produtos que chegam aos consumidores.
“A IAC 2662 Borlotti traz ao mercado a novidade da tolerância ao escurecimento do grão, permitindo maior tempo de armazenamento sem perda de coloração, aparência ou qualidade. Essa característica favorece diretamente a exportação, já que o produto chega ao destino internacional com a mesma qualidade com que saiu do Brasil — um ganho significativo para o produtor brasileiro”, destaca Alisson Chiorato, responsável pela nova cultivar juntamente com Sérgio Carbonell, ambos pesquisadores do IAC, vinculado à APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Com essa novidade, o IAC amplia a variabilidade de tipos de feijão para que o agricultor possa agregar valor ao seu produto e manter sua renda mesmo nos momentos em que tipos tradicionais, como o carioca e o preto, têm seus preços reduzidos por variações mercadológicas. A IAC 2662 Borlotti aumenta o portfólio de feijões especiais do Instituto, oferecendo nova opção voltada principalmente ao mercado de exportação, já que esse tipo de grão é bastante consumido na Europa. No mercado interno, a cultivar também apresenta potencial para ampliar e diversificar a oferta de feijões especiais, atendendo a um segmento em expansão e agregando novas oportunidades de comercialização.
Diferencial da IAC 2662 Borlotti é a tolerância ao escurecimento dos grãos. Por que isso é importante?
“Porque na exportação o feijão leva de 60 a 90 dias para chegar até outro país. Então muitas vezes durante o processo de viagem o feijão pode escurecer e chegar ao destino com qualidade inferior à que tinha ao sair do Brasil. Essa tolerância ao escurecimento garante maior qualidade do grão e oferece segurança adicional para quem exporta, já que o produto mantém sua aparência e coloração durante mais tempo de armazenamento”, explica Chiorato.
O grão da IAC 2662 Borlotti é arredondado, claro e rajado de vermelho, além de ser graúdo, com o dobro do tamanho do feijão carioca. O teor de proteína é em torno de 22% e o tempo de cozimento, 32 minutos.
Seu potencial produtivo é de até 3500 quilos por hectare. Este desempenho é tão bom quanto o das principais cultivares do portfólio IAC. Destaca-se ainda pela maior resistência ao crestamento bacteriano, doença que pode comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos, favorecendo um cultivo mais seguro. Tem ciclo precoce, com colheita entre 75 e 80 dias após o plantio.
A cultivar IAC 2662 Borlotti pode ser cultivada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Esse novo material é fruto do melhoramento de outro feijão cranberry, o IAC 2153 Esse avanço ilustra a estratégia do programa de melhoramento genético do Instituto Agronômico, que busca incorporar, a cada novo lançamento, características agronômicas e comerciais superiores às das cultivares anteriores. Como resultado, os agricultores têm acesso a materiais cada vez mais produtivos, resistentes e adaptados às demandas do setor de produção, sem abrir mão da qualidade dos grãos para a indústria e para o consumidor. A IAC 2662 Borlotti está em fase de registro e estará disponível para comercialização no final deste ano.
Feijão tem a maior demanda por sementes dentre os grãos no IAC
O feijão é a cultura líder de transferência de sementes genéticas do IAC para o setor de produção. No período de 2016 a 2025, foram comercializados 645 mil quilos de sementes, envolvendo 92 cultivares distintas dos tipos carioca, preto e especiais. No IAC, o feijão também se destaca como a espécie com maior diversidade genética, totalizando 25 cultivares distintas nesse período, seguido pelo amendoim, com nove cultivares. Outras culturas, como trigo, milho e arroz também apresentam participação relevante na transferência de sementes genéticas realizada pelo IAC.
Em 2026, essa liderança permanece. De janeiro a maio, as sementes de feijão representaram 62,3% do volume de grãos comercializados pelo IAC, que totalizou 72.850 quilos. “O desempenho foi impulsionado pelas sementes de feijão. As cultivares IAC 2051 e IAC 2560 Nelore destacaram-se como os principais materiais comercializados, totalizando cerca de 26 toneladas de sementes”, comenta a pesquisadora do IAC, Luiza Capanema.
As vendas concentraram-se principalmente nos estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais, que responderam por cerca de 89% do volume total. Os resultados evidenciam um portfólio concentrado em cultivares de maior demanda e uma comercialização alinhada à sazonalidade das principais culturas agrícolas atendidas pelo Instituto.
“Tivemos um pico de comercialização em janeiro, redução em fevereiro e março e retomada do crescimento em abril e maio. Essa dinâmica é compatível com a sazonalidade da demanda por sementes, especialmente para culturas como feijão e trigo, cujas janelas de semeadura se concentram no primeiro semestre”, explica Luiza.
A semente genética carrega exatamente as características da cultivar obtidas na pesquisa pelo IAC e garante ao agricultor a qualidade e a produtividade descritas no registro do material junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.
“Os dados sobre transferência de sementes genéticas de grãos de cultivares IAC aos setores de produção evidenciam o que conhecemos internamente: temos programas de melhoramento robustos, atualizados e atuantes dentro do IAC, caracterizados pela manutenção simultânea de escala produtiva e da diversidade genética, com destaque para culturas estratégicas e para materiais de menor escala, mas de elevada relevância tecnológica e regional”, comenta o coordenador do IAC, Marcos Landell.
20 anos do IAC-Quepia: reprovação de vestimentas agrícolas cai até 90%
O QUEPIA (Programa IAC de Qualidade em Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura) é uma certificação voluntária e pioneira criada pelo Instituto Agronômico (IAC), em 2006. O programa desenvolve e avalia a segurança e a eficácia das vestimentas usadas por trabalhadores rurais no manuseio de agrotóxicos. Dentre os resultados dessa ação estão reduções de 80% a 90% na reprovação de qualidade de vestimentas agrícolas produzidas no Brasil, além da participação efetiva da ciência paulista no desenvolvimento de normas nacionais e internacionais de qualidade.
“O QUEPIA desenvolveu e segue desenvolvendo a pesquisa que possibilitou a aplicação de normas internacionais da ISO (International Standartization Organization) nas vestimentas de trabalho dos aplicadores de agrotóxicos brasileiros”, explica Hamilton Ramos, coordenador do programa e pesquisador do IAC.
A equipe auxilia a indústria a buscar certificações baseadas nas normas da ISO para validar a qualidade de seus Equipamentos de Proteção Individual (EPI) agrícolas. Ao ceder o Selo IAC-QUEPIA aos produtos testados e aprovados, esse modelo de interação entre a ciência e a fabricação de EPI transfere credibilidade aos fabricantes de equipamentos e aos produtos aprovados em testes, com elaboração orientada por pesquisa de ponta conduzida pelo IAC em parceria com o setor privado.
O trabalho é realizado em laboratórios especializados na Divisão Avançada de Engenharia e Automação do IAC, em Jundiaí, interior paulista.
Duas décadas da Rede Social do Café
Há 20 anos, quando a internet ainda engatinhava como ferramenta de integração no setor agropecuário, o Instituto Agronômico (IAC) lançou uma iniciativa pioneira: a Rede Social do Café. Criada em 2006, a partir da comunidade virtual Manejo da Lavoura Cafeeira, a Rede se tornou um espaço de referência para circulação de informações, compartilhamento de conhecimento e fortalecimento das conexões entre pesquisadores, produtores, cooperativas e instituições ligadas à cafeicultura. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma das mais longevas experiências de comunicação digital voltadas à agricultura, reunindo cerca de 95 mil publicações e documentando de forma contínua os principais avanços e debates do segmento.
Agora, ao completar duas décadas, a Rede Social do Café inicia um novo ciclo com o lançamento de um portal renovado, preparado para responder às demandas da comunicação digital contemporânea e ampliar ainda mais sua capacidade de integração. Mais do que uma atualização tecnológica, essa nova etapa reafirma o compromisso histórico do IAC com a ciência e com a construção colaborativa do conhecimento, fortalecendo a aproximação entre pesquisa, extensão e produção. A celebração dos 20 anos da Rede será apresentada durante as comemorações dos 139 anos do Instituto, marcando a convergência de esforços para construir coletivamente o futuro da cafeicultura brasileira. “Serão assinados os protocolos de intenções com a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé) e a Pinhalense, marcando o início de uma nova fase da Rede Social do Café, construída em parceria com organizações do ecossistema cafeeiro”, comenta o pesquisador do IAC e coordenador da Rede, Sérgio Parreiras Pereira.
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