Ibrafe: Falta de Feijão no mercado brasileiro não será resolvida apenas com os pequenos produtores
"Desta vez, o governo não pode ser responsabilizado pela falta de Feijão no início de 2024, certo? Errado! A responsabilidade é toda do governo, que prometeu picanha e nem Feijão tem. De acordo com a BBC News Brasil, os brasileiros estão perdendo o hábito de comer Feijão diariamente, em meio a mudanças culturais, avanço dos alimentos ultra processados e aumento de preços do produto. Seguindo a tendência dos últimos anos, o Feijão deixará de ser consumido de forma regular – de 5 a 7 dias na semana – em 2025, conforme estudo do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A partir daquele ano, a maior parte dos brasileiros passará a comer o alimento símbolo nacional com frequência considerada irregular (1 a 4 dias), de acordo com a pesquisa.
A falta de Feijão no mercado brasileiro não será resolvida apenas com os pequenos produtores. É importante lembrar que quem abastece o mercado brasileiro no segundo semestre é a agricultura irrigada. São estes produtores que precisam ser incentivados a produzir mais. O incentivo tem de vir em forma de recursos subsidiados para carregamento de estoque. Precisamos de mais armazenagem nas propriedades, e se nada for feito imediatamente, a situação ficará pior entre 2024 e 2025.
A população aumenta ao redor de 1 milhão de novos consumidores por ano, enquanto a produção diminui. Por esta razão, levantamento de produção per capita aponta para anualmente a disponibilidade menor de Feijões. É importante facilitar a produção irrigada no país com a máxima urgência. O exemplo da movimentação da APROFIR Associação dos Produtores Irrigantes do Mato Grosso, que buscou apoio do governo do estado nos estudos de viabilidade do uso de recursos hídricos e que engajou todo o governo estadual nas discussões de como fazer isso de forma segura precisa ser replicado em outros estados. O trabalho da RENAI Rede Nacional de irrigação, criada em 2022, é fundamental para que a irrigação atenue os impactos das mudanças climáticas.
Até agora, lidamos com produtores capitalizados pelos preços das commodities nos anos recentes. Porém, a crise econômica do setor rural se fará sentir em breve como consequência das mudanças climáticas. O setor acabará carente de decisão política que realmente deseje por pelo menos o básico no prato do brasileiro.
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