Temporal com milhares de raios acende alerta em Campinas/SP
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A tempestade que atingiu a Região Metropolitana de Campinas na madrugada do último sábado (13) chamou a atenção de meteorologistas pela intensa atividade elétrica. Dados do satélite GOES registraram mais de 25 mil agrupamentos de flashes em apenas 10 minutos, por volta das 3h50 da manhã, um volume considerado incomum para a região.
O fenômeno ocorreu durante a passagem de uma forte área de instabilidade que provocou chuva intensa, trovões e uma sequência praticamente contínua de relâmpagos no céu de Campinas e cidades vizinhas.
Segundo o meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri/Unicamp), o índice não representa exatamente a quantidade de raios que atingiram o solo, mas funciona como um importante indicador da intensidade da tempestade.
“É uma forma de mensurar a atividade elétrica. Tem relação com o número de raios, mas não é uma equivalência direta. Quanto maior esse índice, maior tende a ser o potencial de severidade da tempestade”, explicou.
De acordo com o especialista, tempestades com esse nível de atividade elétrica são relativamente raras na região. No momento do registro, o sistema que atuava sobre Campinas apresentava a maior atividade elétrica do estado de São Paulo e possivelmente de todo o Brasil.
“Não é algo que nunca aconteceu antes, mas é relativamente raro. Observamos poucas ocorrências desse tipo ao longo do ano. Foi uma tempestade com atividade elétrica muito intensa”, destacou Bainy.
Mais raios significam maior potencial de impactos
Além do espetáculo visual provocado pelos relâmpagos, o grande número de descargas elétricas serve como um sinal de alerta para outros fenômenos severos.
Segundo Bainy, tempestades altamente eletrificadas costumam estar associadas a chuva torrencial, vendavais e até granizo.
“O próprio número de raios é um indicativo do potencial de severidade dessas tempestades. Quanto mais raios, maior a chance de outros impactos também ocorrerem, como vendavais, granizo e chuva intensa”, afirmou.
O meteorologista ressalta que a atividade elétrica observada no fim de semana é compatível com um ambiente atmosférico muito instável, favorecido por altas temperaturas e grande disponibilidade de umidade.
Mudanças climáticas podem favorecer eventos mais intensos
Embora ainda não existam estudos conclusivos relacionando diretamente episódios específicos ao aquecimento global, Bainy explica que o cenário climático atual tende a aumentar a frequência de tempestades severas.
“As mudanças climáticas favorecem temperaturas mais elevadas e uma atmosfera com mais vapor d'água disponível. Isso potencializa a severidade das tempestades e pode aumentar a ocorrência de eventos de alto impacto”, explicou.
Raios continuam sendo um risco subestimadoApesar da atenção normalmente dada aos temporais, os raios ainda são considerados um dos fenômenos meteorológicos mais negligenciados pela população.
Bainy destaca que muitos acidentes ocorrem justamente quando a tempestade parece estar enfraquecendo.
“Os maiores índices de acidentes costumam acontecer no início ou no final das tempestades, quando há menos raios e as pessoas acreditam que o risco já passou”, alertou.
Mesmo quando não atingem diretamente uma pessoa, as descargas elétricas podem causar ferimentos graves.
“O raio que atinge o solo pode induzir corrente elétrica no corpo de uma pessoa ou de um animal a dezenas de metros de distância. Dependendo da situação, essa corrente pode ser bastante significativa”, explicou.
Trovoadas funcionam como um alerta natural
Para o meteorologista, ouvir trovões deve ser encarado como um aviso imediato para buscar abrigo.
“As trovoadas são um excelente alarme natural. Se você consegue ouvir o trovão, significa que existe uma tempestade nas proximidades e já é hora de procurar proteção”, afirmou.
O alerta é especialmente importante para trabalhadores rurais, que frequentemente atuam em áreas abertas e ficam mais expostos aos efeitos das descargas elétricas.
“Quem trabalha em áreas descampadas precisa ter atenção redobrada. A exposição é muito maior e o risco aumenta significativamente durante tempestades com atividade elétrica”, ressaltou.
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