Irrigação pode reduzir riscos do El Niño para a safra brasileira de grãos 2026/27
A irrigação ganha ainda mais relevância como instrumento para mitigar perdas e dar mais previsibilidade à produção. A expectativa de maior irregularidade nas chuvas, sobretudo no início da janela de plantio, deve exigir dos produtores um planejamento agrícola mais rigoroso e a adoção de tecnologias capazes de reduzir a dependência exclusiva do regime natural de precipitação.
Com a possibilidade da formação do fenômeno climático El Niño nos próximos meses acende um alerta para a safra brasileira de grãos 2026/27. Para André Guillaumon, CEO da BrasilAgro (AGRO3) em um cenário de chuvas mais irregulares, especialmente no início da janela de plantio, não basta apenas reagir aos eventos climáticos.
“É preciso planejamento, tecnologia e infraestrutura para dar mais previsibilidade à produção. A irrigação entra justamente nesse contexto, não como uma solução pontual, mas como uma ferramenta estratégica para reduzir riscos, proteger produtividade e permitir que o agricultor tome decisões com mais segurança”, destacou o André Guillaumon.
O impacto do El Niño varia conforme a região do país. Em algumas áreas, o fenômeno pode provocar estiagens, atraso das chuvas e aumento das temperaturas. Em outras, pode intensificar o volume de precipitações. Para a agricultura de grãos, um dos principais riscos está no início do ciclo produtivo, quando a falta de umidade no solo pode prejudicar a germinação, atrasar o plantio e comprometer o potencial produtivo das lavouras.
A irrigação pode contribuir justamente nesse ponto. Quando bem planejada, permite manter níveis adequados de umidade no solo em momentos críticos, reduzindo o risco de falhas de germinação e permitindo maior controle sobre o calendário agrícola.
Vale destaque a BrasilAgro (AGRO3) reduziu em 30% o consumo de água e energia nas áreas irrigadas de suas operações agrícolas na safra 2024/25, conforme divulgado no Relatório de Sustentabilidade da companhia. O desempenho reflete a adoção de sistemas de irrigação baseados em dados, com automação e acompanhamento em tempo real das operações, integrados ao Centro de Operações Agrícolas (COA).
“Quando incorporamos a irrigação a um modelo integrado de gestão, ganhamos escala, previsibilidade e consistência nas decisões. Esse é um fator central para sustentar produtividade e eficiência ao longo do tempo”, afirmou o CEO da BrasilAgro.
Para a empresa, a combinação entre irrigação e manejo conservacionista pode ser uma resposta importante ao aumento da volatilidade climática. Além de reduzir riscos operacionais, a tecnologia permite maior previsibilidade de produção, melhor aproveitamento da área plantada e tomada de decisão mais precisa em anos marcados por eventos climáticos extremos.
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