Interior do Nordeste enfrenta falta de chuva e atenção se volta ao El Niño
A previsão do tempo para os próximos dias mostra um cenário bastante dividido no Nordeste brasileiro. Enquanto a faixa norte da região deve continuar recebendo pancadas de chuva, áreas do interior seguem sob influência de uma massa de ar mais seco, mantendo a restrição hídrica em importantes polos agrícolas.
Segundo a meteorologista Estael Sias, os maiores volumes de chuva devem se concentrar entre Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, além de parte do litoral nordestino. Já a Bahia, Sergipe, Alagoas e áreas do interior de Pernambuco devem registrar pouca ou nenhuma precipitação nos próximos cinco dias.
"O cenário é de chuva mais concentrada no norte da região, enquanto o setor sul do Nordeste permanece com tempo mais seco", explicou.
Além da falta de chuva, outro destaque é a queda das temperaturas. A massa de ar frio que avança pelo Sudeste também provoca um resfriamento incomum em parte do Nordeste, especialmente na Bahia.
Nas regiões mais elevadas do estado, os termômetros podem marcar entre 8°C e 12°C durante as madrugadas de sábado e domingo. O frio também será sentido no oeste baiano, importante região produtora de grãos, e em áreas do interior de Pernambuco, onde as temperaturas podem ficar entre 16°C e 18°C.
A preocupação maior, no entanto, está relacionada à persistência do tempo seco em áreas agrícolas do interior nordestino. Em Adustina, no nordeste da Bahia, por exemplo, não há previsão significativa de chuva para os próximos sete dias, situação que preocupa produtores de milho e outras culturas dependentes da umidade do solo.
Hál alerta ainda para a possível influência do El Niño nos próximos meses. Segundo a meteorologista, o fenômeno tende a aumentar o risco de irregularidade das chuvas no interior do Nordeste e nas áreas do Matopiba, região que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
"Em anos de El Niño, a agricultura do interior do Nordeste costuma enfrentar mais dificuldades por causa da redução e da irregularidade das chuvas. Elas não deixam de ocorrer completamente, mas ficam mais falhadas e mal distribuídas", destacou.
Diante desse cenário, a recomendação é que os produtores acompanhem de perto as atualizações meteorológicas e adotem estratégias de manejo que considerem a possibilidade de períodos mais prolongados de estiagem durante os próximos meses.
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