Norte entra em transição para período seco e acende alerta para queimadas e estresse hídrico nas lavouras

Publicado em 15/05/2026 12:23
Redução das chuvas já preocupa produtores do Tocantins, Pará, Rondônia e Amazonas; meteorologista da MetSul alerta para influência futura do El Niño.

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A previsão climática para a região Norte do Brasil indica uma mudança importante no padrão das chuvas nos próximos dias, acendendo um sinal de alerta para produtores rurais de estados como Tocantins, Pará, Rondônia, Amazonas, Roraima e Amapá. Durante o programa Tempo & Clima, a meteorologista da MetSul Meteorologia, Estael Sias, destacou que a região já começa a entrar na fase típica de redução das precipitações, característica do avanço do período seco.

Segundo Estael, a Zona de Convergência Intertropical perde força neste momento, diminuindo significativamente os volumes de chuva em grande parte do Norte brasileiro. “O setor norte da região que vinha recebendo bastante chuva, como norte do Pará, Roraima, Amapá e norte do Amazonas, começa a ter uma redução da chuva”, explicou durante o programa.

O cenário preocupa especialmente produtores do Matopiba e áreas de expansão agrícola do Tocantins e sul do Pará, onde a combinação entre calor intenso, baixa umidade e ausência de precipitações pode aumentar o estresse hídrico das lavouras e elevar os riscos de incêndios e queimadas nas próximas semanas.

Chuvas ficam irregulares e volumes são considerados baixos

De acordo com a análise apresentada pela meteorologista, mesmo as áreas que ainda terão alguma instabilidade devem registrar acumulados muito baixos. “Hoje tem alguma condição de chuva, mas com volumes de 5 a 10 milímetros, sem significado importante para as lavouras”, afirmou Estael Sias ao detalhar o comportamento climático para Amazonas e Rondônia.

A previsão mostra que estados como Tocantins, Amapá e Roraima praticamente não terão chuva nos próximos dias. Já no Acre, Rondônia e sul do Amazonas podem ocorrer pancadas isoladas, especialmente entre segunda e terça-feira, influenciadas pela instabilidade que avança do Centro-Oeste. Ainda assim, os volumes seguem baixos e bastante irregulares.

“Quando a gente olha os próximos cinco dias, praticamente não chove no Norte do país”, destacou a especialista. Segundo ela, a maior parte da chuva anual da região costuma ocorrer até maio e, a partir deste período, a tendência natural é de forte redução da umidade.

Essa mudança já começa a ser sentida principalmente nas áreas agrícolas do Tocantins e sul do Pará, onde o tempo seco ganha força rapidamente. A preocupação aumenta porque o avanço do El Niño nos próximos meses pode intensificar ainda mais essa condição climática.

El Niño pode agravar seca e elevar risco de queimadas

Durante o programa Tempo & Clima, Estael Sias reforçou que o El Niño ainda não atua diretamente sobre a região neste momento, mas deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre. “O El Niño poderá ter um efeito importante de acentuar essa característica dessa época do ano. Ou seja, chove pouco e, sob uma condição de El Niño, pode chover menos ainda”, alertou.

A meteorologista explicou que o cenário climático previsto para os próximos meses favorece temperaturas acima da média e redução ainda maior da umidade relativa do ar. Como consequência, aumenta o risco de queimadas florestais e incêndios em áreas de vegetação seca.

“O resultado disso é o risco maior de incêndios e queimadas, porque na medida em que não chove, o solo fica seco e a vegetação também muito seca”, afirmou. A combinação entre calor intenso, vento e baixa umidade cria condições críticas principalmente em áreas do Tocantins, sul do Pará e Rondônia.

Além dos impactos ambientais, o avanço do tempo seco também pode comprometer o planejamento agrícola e aumentar os custos com manejo, irrigação e controle de incêndios em propriedades rurais da região Norte.

Santarém terá calor persistente e pouca chuva nos próximos dias

Ao analisar as condições específicas para Santarém, no Pará, Estael destacou que a tendência é de manutenção do calor e predomínio de tempo firme. Segundo a meteorologista, as temperaturas devem oscilar pouco ao longo da semana, com máximas próximas dos 32 graus.

“A chuva até aparece em alguns momentos, mas são volumes de 1 ou 2 milímetros, que muitas vezes evaporam antes mesmo de atingir o solo”, explicou. Na prática, isso significa baixa reposição hídrica para as áreas produtoras da região.

Mesmo sem extremos de calor, a sequência de dias secos preocupa produtores que dependem da umidade residual do solo para manter o desenvolvimento das culturas e pastagens.

A situação também exige atenção para manejo de fogo em áreas rurais, já que a vegetação tende a perder umidade rapidamente neste período de transição climática.

Tocantins enfrenta cenário típico de inverno seco com calor intenso

Entre os estados do Norte, o Tocantins aparece como uma das regiões com cenário mais crítico para os próximos dias. Em Alvorada, no sul do estado, a previsão indica temperaturas entre 35 e 37 graus durante praticamente toda a próxima semana.

“Não aparece nada de chuva no gráfico”, destacou Estael ao analisar o meteograma agrícola da região. Segundo ela, a umidade relativa do ar durante as tardes deve cair para índices entre 20% e 30%, condição considerada bastante crítica para atividades no campo.

A meteorologista alertou que o cenário favorece queimadas e aumenta significativamente a demanda hídrica das lavouras. “É um prato cheio para incêndios e queimadas”, afirmou durante a transmissão.

Com o avanço do período seco e a possibilidade de um El Niño mais forte no segundo semestre, produtores rurais da região Norte deverão acompanhar de perto as atualizações climáticas nas próximas semanas, principalmente em relação ao comportamento das chuvas e ao risco de estiagem prolongada.

 

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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