Sul: chuva persistente no Paraná acende alerta para lavouras e nova massa polar preocupa produtores

Publicado em 15/05/2026 11:40
Volumes elevados entre Paraná e Santa Catarina podem atrapalhar manejo nas lavouras; frio retorna ao Sul na próxima semana.

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A previsão do tempo para a Região Sul indica uma virada importante nas condições climáticas nos próximos dias, especialmente para áreas produtoras do Paraná. Durante o programa Tempo & Clima, a meteorologista da MetSul, Estael Sias, alertou que a combinação entre chuva persistente e excesso de umidade deve trazer impactos relevantes para as atividades no campo, principalmente nas lavouras de milho e nos preparativos para a semeadura do trigo.

O destaque mais importante está concentrado no Paraná, onde os acumulados de chuva devem superar os 50 milímetros em diferentes municípios produtores. Segundo Estael, cidades como Maringá, Apucarana, Castro, Ortigueira, Faxinal, Ponta Grossa, Francisco Beltrão, Pato Branco e áreas da Região Metropolitana de Curitiba entram na faixa de maior atenção meteorológica. “São vários dias consecutivos de chuva, o que vai levar a excesso de umidade e volumes acumulados muito altos”, afirmou.

Além do Paraná, a instabilidade também avança sobre Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul entre domingo e segunda-feira. Embora os volumes sejam mais irregulares nesses estados, a previsão aponta episódios de chuva moderada a forte em pontos isolados, especialmente no leste catarinense e gaúcho. A meteorologista destacou que o retorno da umidade ocorre gradativamente após dias marcados por temperaturas negativas no território gaúcho.

No começo desta sexta-feira, municípios da Campanha e da Serra Sudeste do Rio Grande do Sul registraram marcas abaixo de zero. “Tivemos mínimas de até seis graus negativos em Pinheiro Machado e temperaturas ao redor de zero em várias áreas da Campanha”, explicou Estael durante a transmissão.

Excesso de umidade pode prejudicar manejo e pulverização

A sequência de dias chuvosos no Paraná preocupa produtores que seguem trabalhando no manejo das lavouras de milho safrinha e no planejamento do trigo. De acordo com a meteorologista, o excesso de umidade reduz significativamente as janelas de pulverização e dificulta operações no campo.

“O que chama atenção é justamente a chuva excessiva e frequente. São vários dias consecutivos de instabilidade, o que atrapalha o trabalho nas lavouras”, afirmou Estael. Ela destacou ainda que o solo deve permanecer encharcado em diferentes áreas produtoras, aumentando o risco de atrasos operacionais.

A previsão indica chuva mais intensa nesta sexta-feira em áreas do norte e centro do Paraná, seguida de uma breve redução no sábado. Porém, entre domingo e segunda-feira, a instabilidade volta a ganhar força, espalhando volumes mais expressivos sobre o estado.

Para Santa Catarina, os acumulados variam bastante entre as regiões. Enquanto algumas áreas devem receber apenas cinco a dez milímetros, outras podem registrar até 30 milímetros no início da próxima semana. No Rio Grande do Sul, a chuva chega com menor intensidade, mas também contribui para elevar a umidade no campo.

Outro ponto de atenção envolve a cultura do trigo. Segundo Estael, os sinais climáticos associados ao El Niño podem aumentar os desafios durante o inverno. “O trigo terá um desafio importante neste ano com relação ao excesso de umidade nos meses de inverno”, alertou.

Nova massa polar muda o cenário na próxima semana

Depois da passagem da chuva, o Sul do Brasil volta a enfrentar uma nova incursão de ar frio. A partir de terça-feira, uma massa de ar polar deve avançar sobre a região, derrubando as temperaturas principalmente no Rio Grande do Sul.

“A chuva começa a se afastar na segunda e terça-feira. Na quarta-feira o tempo limpa e uma nova massa de ar polar toma conta do Sul do Brasil”, explicou Estael. Segundo ela, o risco de geada volta ao radar dos produtores rurais.

Apesar do avanço do frio, a meteorologista pondera que a tendência atual indica geadas mais restritas ao território gaúcho. “Os modelos projetam geada principalmente para o Rio Grande do Sul nessa próxima incursão de ar polar”, disse.

A queda das temperaturas ocorre após um período de forte contraste térmico na região. Enquanto o Rio Grande do Sul começou a semana com frio intenso e temperaturas negativas, o Paraná enfrentará dias marcados por umidade elevada e chuva persistente antes da chegada do ar polar.

No campo, produtores acompanham com atenção a combinação entre excesso de água e posterior resfriamento. A preocupação envolve desde atrasos operacionais até impactos no desenvolvimento das culturas de inverno.

A previsão reforça a necessidade de monitoramento constante das condições meteorológicas ao longo dos próximos dias, especialmente em áreas produtoras do Paraná e de Santa Catarina, onde os volumes de chuva devem ser mais expressivos.

 

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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