Piscicultura em viveiros escavados avança com tecnologia de manejo e fortalece produção familiar no Brasil

Sistema amplia eficiência produtiva, melhora gestão e reduz riscos com apoio de práticas técnicas em alimentação, sanidade e organização rural.
Publicado em 22/06/2026 10:07

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O Brasil produziu cerca de 968 mil toneladas de peixes cultivados em 2024, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). O crescimento do setor reforça a importância da piscicultura familiar, que responde por grande parte da produção em sistemas de viveiros escavados no país.

No Tocantins, a produção atingiu aproximadamente 18,1 mil toneladas no mesmo período, também conforme a PeixeBR. O estado se destaca pela forte presença de espécies nativas e pela atuação de pequenos produtores na atividade aquícola.

Esse cenário foi abordado no programa de rádio Prosa Rural, da Embrapa, com base no Manual de Piscicultura Familiar em Viveiros Escavados. A edição reuniu orientações técnicas e entrevistas com especialistas sobre manejo, produção e organização da atividade no campo.

Viveiros escavados permitem diferentes níveis de intensificação

A pesquisadora Ana Paula Rodrigues, da Embrapa Pesca e Aquicultura em Palmas (TO), explica que o sistema de viveiros escavados se destaca pela flexibilidade produtiva. Segundo ela, essa característica permite adaptar o modelo à realidade de cada produtor.

Ela afirma: “a produção de peixes em viveiros escavados possui como principal vantagem fornecer uma maior flexibilidade do regime de produção ao produtor”. Essa flexibilidade permite variações entre sistemas extensivo, semi-intensivo e intensivo.

No sistema extensivo, há menor uso de ração e maior dependência do alimento natural. Já no intensivo, o crescimento é mais acelerado, com maior densidade de estocagem e uso exclusivo de ração comercial. O semi-intensivo combina os dois modelos e é o mais adotado na prática.

Tecnologia de manejo e controle técnico sustentam a produção

O Manual de Piscicultura Familiar em Viveiros Escavados reúne orientações essenciais para a atividade. O conteúdo aborda construção de viveiros, qualidade da água, sanidade, alimentação e comercialização do pescado.

 

A publicação também inclui ferramentas de gestão econômica e controle produtivo. Outro destaque é o incentivo ao associativismo como estratégia de fortalecimento da produção familiar.

O uso de conhecimento técnico permite reduzir perdas e aumentar a eficiência dos sistemas produtivos, especialmente em pequenas propriedades rurais.

Alimentação dos peixes depende de monitoramento constante do lote

O manejo alimentar é um dos pontos mais sensíveis da piscicultura. Ana Paula Rodrigues destaca a importância de conhecer o número e o peso dos peixes no viveiro.

Ela afirma: “é muito importante o produtor saber quantos peixes ele tem no viveiro”. Esse controle permite ajustar corretamente a quantidade e a frequência da ração fornecida.

Segundo a pesquisadora, o uso de biometrias mensais e tabelas de alimentação garante maior precisão no manejo. Esses instrumentos orientam a oferta de proteína, volume e frequência alimentar conforme a fase de crescimento dos peixes.

 Gestão e organização são desafios centrais da piscicultura familiar

O supervisor do SENAR, Vicente Neto, destaca que a piscicultura precisa ser tratada como atividade empresarial. Segundo ele, a gestão eficiente é fundamental para a sustentabilidade da produção.

Ele aponta cinco desafios principais: gestão da atividade, regularização fundiária, organização dos produtores, qualidade da água e manejo alimentar. Esses fatores influenciam diretamente o desempenho produtivo.

A falta de regularização da terra limita o acesso ao crédito rural, enquanto a baixa organização coletiva reduz o poder de negociação na compra de insumos e na venda do pescado.

 Alimentação representa maior custo e exige eficiência técnica

Vicente Neto destaca que a ração pode representar até 90% do custo operacional da piscicultura. Por isso, o controle alimentar é determinante para a rentabilidade da atividade.

Segundo ele, o uso adequado da ração melhora a eficiência produtiva e reduz desperdícios. O acompanhamento das fases de crescimento dos peixes é essencial para otimizar resultados.

Esse controle técnico contribui para maior estabilidade econômica e melhor planejamento da produção ao longo do ciclo produtivo.

Organização coletiva e tecnologia aumentam competitividade no campo

A organização em associações é apontada como estratégia para fortalecer a piscicultura familiar. A compra coletiva de insumos e a comercialização conjunta ampliam o poder de mercado dos produtores.

Vicente Neto destaca ainda o papel da Embrapa como base técnica para o setor. O manual é utilizado como ferramenta de apoio à tomada de decisão nas propriedades rurais.

Ele reforça que maior controle produtivo reduz a dependência das oscilações do mercado e aumenta a autonomia do produtor.

 Planejamento e tecnologia definem eficiência da piscicultura familiar

O programa Prosa Rural reforça que o desempenho da piscicultura depende da combinação entre tecnologia, gestão e planejamento. Esses fatores determinam a sustentabilidade da atividade no campo.

A integração entre conhecimento técnico e organização produtiva reduz riscos e melhora a eficiência dos sistemas em viveiros escavados. O resultado é maior previsibilidade na produção.

Com o avanço das tecnologias de manejo, a piscicultura familiar se consolida como alternativa competitiva e estruturada de geração de renda no meio rural brasileiro.

 

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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