China confirma que Brasil cumpriu 50% da cota estabelecida enquanto mercado do boi faz contas para fim dos embarques sem tarifaço

Publicado em 11/05/2026 15:12 e atualizado em 11/05/2026 16:49
Possível esgotamento do limite de exportações para a China aumenta cautela entre frigoríficos, pecuaristas e operadores da B3

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O mercado do boi gordo acompanha com atenção crescente a evolução da chamada cota chinesa para importação de carne bovina brasileira. A preocupação ganhou força após o avanço acelerado dos embarques realizados nos últimos meses, cenário que pode alterar diretamente o comportamento das exportações e dos preços pagos ao produtor rural no Brasil.

Durante entrevista ao programa Pecuária & Mercado, o consultor da Hegde Agro Consultoria, Eberti Aguiar,explicou que o setor trabalha diariamente com projeções sobre o momento em que o limite poderá ser atingido. Segundo ele, o mercado vem fazendo conta dia após dia sobre a expectativa de quando essa cota seria atingida.

A análise ganhou ainda mais relevância após um comunicado oficial divulgado pela China nos últimos dias. Conforme destacou o especialista, o governo chinês informou que o Brasil já atingiu metade do volume previsto dentro da atual cota de exportação. “Saiu um comunicado oficial da China informando que nós atingimos 50% da nossa cota”, afirmou o consultor.

Mercado tenta calcular prazo limite para embarques

A partir da confirmação do avanço da cota, frigoríficos e exportadores passaram a recalcular prazos de compra e embarque dos animais destinados ao mercado chinês. Segundo Eberti Aguiar, o desafio envolve entender até quando ainda será possível exportar carne sem incidência da tarifa adicional prevista nas regras comerciais.

“O comprador deste boi China fala: ‘Olha, eu posso pagar uma ajuda da China até meados de junho”, explicou o consultor ao comentar o raciocínio adotado por operadores do mercado. A preocupação ocorre porque, após o esgotamento da cota, os embarques passam a enfrentar tarifa de 55%.

Segundo ele, o próprio comunicado chinês reforçou oficialmente essa condição. “Eles ressaltaram a questão que após o atingimento de 100% dessa cota terá a tarifa de 55%”, destacou. A expectativa predominante hoje aponta que o limite total possa ser alcançado entre julho e agosto, dependendo principalmente do ritmo das exportações realizadas em maio.

Frigoríficos monitoram oferta e embarques

O mercado trabalha agora com diferentes cenários para avaliar o comportamento das exportações brasileiras ao longo das próximas semanas. De acordo com o especialsta, caso maio mantenha volumes próximos aos registrados em abril, o espaço restante da cota poderá diminuir rapidamente.

“Se nós tivermos em maio algo em torno de 135 mil toneladas, sobraria em torno de 120 mil toneladas para embarcar no mês de junho”, afirmou. Isso faz com que os frigoríficos monitorem diariamente o fluxo de compra de animais destinados à exportação.

Segundo o consultor, existe preocupação principalmente em relação às decisões futuras da China. “O mercado agora vai trabalhar muito em cima de uma expectativa”, comentou. A dúvida central envolve uma possível revisão das cotas pelo governo chinês ou a manutenção das regras atuais sem alterações.

Ausência da China pode pressionar mercado interno

Na avaliação do especialista, o principal risco para o setor pecuário brasileiro seria uma interrupção das compras chinesas sem abertura imediata de novos destinos para a carne exportada. “O impacto vai que a gente tem de certa forma o nosso maior comprador da carne de exportação ausente”, alertou.

Apesar disso, outros mercados internacionais seguem ampliando participação nas compras de proteína brasileira. Segundo Eberti Aguiar, os Estados Unidos aumentaram significativamente a demanda por carne bovina. Além disso, existe expectativa positiva em relação ao Japão e outros países importadores.

“A gente tem outros mercados, Estados Unidos vem levando bastante”, afirmou. Ainda assim, ele reconhece que uma eventual suspensão das compras chinesas exigiria reorganização rápida do fluxo global de exportações. “Os traders globais vão precisar reorganizar o fluxo”, acrescentou.

Carne no mercado interno preocupa frigoríficos

Caso os frigoríficos não consigam redirecionar toda a carne destinada originalmente à China, parte dessa produção poderá permanecer no mercado doméstico. Esse movimento ampliaria a oferta interna de proteína bovina e aumentaria a pressão sobre os preços pagos ao pecuarista.

“O grande problema é se eles não conseguirem colocar essa carne no mercado exterior. Eles vão ter que jogar essa carne no mercado interno”, explicou Ébert Aguiar durante a entrevista. Segundo ele, essa situação afetaria principalmente frigoríficos de pequeno e médio porte.

O consultor destacou ainda que o excesso de carne no mercado nacional poderia provocar novas quedas nas cotações da arroba. “A gente pode ver preços testando patamares abaixo. São Paulo provavelmente buscando os R$ 330”, afirmou.

Mercado futuro vive cenário de forte expectativa

Além do mercado físico, a situação também influencia diretamente os contratos futuros negociados na B3. O consultor explicou que a bolsa trabalha essencialmente com projeções e expectativas sobre o comportamento do mercado nos próximos meses.

“Se China revisar essa questão de cotas, teria algo muito especial que sustentaria e faria preço subir rapidamente na B3”, comentou. Por isso, produtores e investidores acompanham atentamente qualquer novo comunicado vindo da China.

Segundo Ébert, um novo posicionamento oficial pode surgir ainda no fim deste mês. “Para o final do mês, a gente deve ter talvez um novo comunicado vindo da China referente essas cotas”, afirmou. Enquanto isso, frigoríficos, confinadores e pecuaristas seguem adotando postura mais cautelosa nas negociações.

Pecuarista deve acompanhar mercado com atenção

Diante desse cenário de incertezas, o consultor recomenda atenção diária aos indicadores ligados às exportações e ao comportamento da B3. Segundo ele, qualquer mudança envolvendo cotas ou abertura de novos mercados pode alterar rapidamente o rumo das cotações.

“Se a gente tiver qualquer surpresa, qualquer remanejamento de cotas, abertura de novos mercados, o mercado pode entender que vamos conseguir sobreviver sem problema de queda de preço”, explicou.

Enquanto o setor aguarda definições, o mercado do boi gordo segue sustentado pela expectativa em torno da China. O comportamento dos embarques nas próximas semanas deverá definir boa parte da dinâmica dos preços da arroba no segundo semestre de 2026.

Confira a entrevista na íntegra:

 

 

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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